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Coronel da PM tinha grupo com presos em ação contra o PCC, diz investigação

Por Redação ContilNet Fonte: Julia Farias 21/07/2026 às 18:42
Coronel da PM tinha grupo com presos em ação contra o PCC, diz investigação

O Ministério Público de São Paulo realizou nesta terça-feira (21) uma operação contra suspeitos de financiar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e atuar nos chamados “tribunais do crime”. Segundo a denúncia obtida pela CNN Brasil, um agente da Polícia Militar mantinha relação de proximidade com dois dos presos na ação desta terça em um grupo de WhatsApp.

De acordo com o documento, o coronel Pereira Martins participava do grupo “Aniversário general” com Cléber Azevedo e Robson Martins de Souza, presos durante a ação.

Segundo o Ministério Público, o grupo no aplicativo de mensagens permaneceu ativo ao menos até 21 de novembro de 2023 e era usado para a troca de mensagens de caráter pessoal e social, o que evidenciaria uma relação de proximidade entre o oficial e os investigados.

A denúncia ainda aponta que existem registros de que o coronel “se dispôs a ajudar os investigados e intermediar contato com autoridades, o que reforça o grau de proximidade [entre ele e os presos]”.

PMs de alto escalão e doleiros

A denúncia do MP revela relações que envolvem doleiros, empresários e menções a membros da alta cúpula da Polícia Militar do estado.

As investigações, baseadas em mensagens interceptadas e planilhas de transações financeiras, citam nomes de oficiais de alta patente da corporação.

Além do coronel Pereira Martins, também estão o coronel José Augusto Coutinho e o coronel “Patrício”. No entanto, os militares não são investigados e não foram denunciados. Entenda a atuação do trio:

A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos investigados e dos policiais citados. O espaço está aberto para manifestações.

“Banco e tribunais do crime”

O grupo investigado funcionava como uma espécie de “banco” destinado à movimentação de recursos ilícitos. Um dos principais nomes tidos como clientes era Leonador Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como chefe da facção na Favela do Moinho, no Centro de São Paulo.

A investigação detalha ainda que o empresário Cléber Azevedo dos Santos recorreu a “tribunais do crime” do PCC para resolver disputas imobiliárias.

Em um dos episódios, o conflito envolvia um imóvel de luxo em Riviera de São Lourenço. A resolução do problema teria passado por uma intervenção direta da liderança da facção.

Na manhã desta terça-feira, 11 alvos foram presos e cinco estão foragidos. “Leo do Moinho” e “Buiu” já estavam presos, mas foram alvos de novos mandados.

De acordo com o MP, os investigados teriam feito operações que envolviam entrega de numerário em espécie, transferências bancárias, utilização de empresas e contas de terceiros e movimentação de recursos em benefício de integrantes e colaboradores do PCC.

A representação embasou os pedidos de busca e apreensão, prisão preventiva e bloqueio do imóvel, que agora são analisados pela Justiça. A investigação faz parte de um desdobramento das operações Bazaar e Recidere, que apuram um esquema de lavagem de dinheiro, corrupção de policiais civis e financiamento do PCC.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Julia Farias.

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