Um trecho do depoimento prestado à Polícia Civil por um dos homens presos após a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, aponta que o investigado participava ativamente da preparação dos saltos na Ponte do Esqueleto, mas alegou não se recordar de quem era a responsabilidade pela instalação da corda de segurança no momento do acidente. O teor das declarações foi divulgado pelo programa Fantástico, da Rede Globo.
Maria Eduarda morreu na manhã do último sábado (13) ao ser lançada de uma plataforma de aproximadamente 40 metros de altura, na estrutura localizada entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. A jovem caiu sem estar conectada ao equipamento de sustentação. Três operadores da atividade tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo Poder Judiciário durante audiência de custódia realizada neste domingo (14).

Preso por morte em salto de ponte diz à polícia não lembrar de quem era dever de checar corda/ Foto: Reprodução
No interrogatório conduzido pelas autoridades policiais, o operador foi questionado a respeito dos protocolos adotados na manobra conhecida como “aviãozinho”, modalidade utilizada pela vítima na ocasião. O homem confirmou que atuava na fixação das amarras ao lado de outros organizadores. “Você era o responsável juntamente com o Maicon e com o Michael?”, indagou o delegado de polícia. “É justamente com o Michael de fazer a colocação da corda”, respondeu o investigado.
Na sequência do questionamento, os agentes tentaram delimitar a cadeia de fiscalização que deveria ter identificado a ausência do cabo de retenção antes do lançamento. O preso declarou que não existia uma definição rígida de funções operacionais. “Às vezes um coloca, outro confere. Às vezes um faz, o outro vem. Era mais ou menos isso”, disse.
Ao ser confrontado diretamente sobre o erro técnico que provocou a queda da jovem, o homem respondeu: “Não, não lembro”. O posicionamento corrobora as informações prestadas pela delegada Andréa Dantas Levy, responsável pelo caso. Segundo a presidente do inquérito, os três indiciados afirmaram em cartório não saber explicar a dinâmica do erro e alegaram ter sofrido uma espécie de “apagão” de memória ao tentar reconstituir o episódio.

Investigado por morte de jovem em salto de ponte alega ‘apagão’ em depoimento à polícia/ Foto: Reprodução
O relatório preliminar da perícia técnica indica que o cabo que deveria guiar o salto sequer chegou a ser acoplado ao arnês vestido por Maria Eduarda. O material foi localizado pela Polícia Civil ainda enrolado sobre as tábuas da própria plataforma de salto.
Imagens capturadas por testemunhas registram o instante em que a vítima é transportada até a borda por três membros da equipe. Após o arremesso, os presentes perceberam o acidente. “Gente, a corda!”, exclamou uma testemunha nas gravações. Outro praticante que aguardava na fila relatou em depoimento que o trio de responsáveis abdicou da conferência final dos mosquetões e presilhas na vez de Maria Eduarda.
Os operadores Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42, permanecem custodiados no sistema prisional. Eles respondem pelo crime de homicídio com dolo eventual, tipificado quando o agente assume voluntariamente o risco de produzir o resultado morte.
A defesa dos réus manifestou-se por meio de nota jurídica, classificando o episódio como uma “triste fatalidade” e sustentando que os profissionais realizavam o manejo da atividade há anos, sem qualquer registro anterior de intercorrências de natureza similar. A Polícia Civil mantém as oitivas de testemunhas e a análise pericial dos arquivos digitais para concluir o inquérito.
