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Esposa revela que irmão de Eloá prestou concurso da PM no dia da morte da jovem

Por Fhagner Soares, ContilNet 28/06/2026 às 21:38
Esposa revela que irmão de Eloá prestou concurso da PM no dia da morte da jovem

Oficial parou em cruzamento e foi atingido por ocupantes de moto em São Caetano do Sul/ Foto: Reprodução

O primeiro-tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, de 40 anos, permanece internado em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, após ser baleado na cabeça na manhã deste sábado (27), em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

O oficial é irmão mais velho de Eloá Pimentel, a adolescente de 15 anos assassinada em outubro de 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves, após um cárcere privado de cem horas que chocou o país.

O atentado contra o policial militar ocorreu na Avenida Goiás. Câmeras de monitoramento flagraram o momento em que Santos, que estava à paisana em uma motocicleta, parou em um semáforo fechado e foi abordado por dois homens em outra moto, que efetuaram os disparos à queima-roupa. A dupla fugiu em seguida. O socorro médico foi feito com o auxílio do helicóptero Águia da corporação.

Nas últimas horas, a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de dois homens, de 40 e 52 anos, suspeitos de participação na emboscada. A Polícia Civil e a Polícia Militar investigam o caso como tentativa de homicídio e tentam esclarecer a motivação e se o oficial vinha sendo monitorado por facções criminosas.

O boletim médico mais recente emitido pelo hospital aponta que o quadro clínico do tenente é de estabilidade dentro da gravidade, exigindo monitoramento neurológico contínuo.

O crime despertou forte comoção pública e trouxe de volta à tona uma homenagem compartilhada nas redes sociais por Cíntia Pimentel, esposa de Ronickson, dias antes do atentado. No texto, ela detalha como a trajetória profissional do marido se entrelaça de forma profunda com o luto familiar pela perda da irmã.

Ronickson prestou o concurso público de admissão à Polícia Militar do Estado de São Paulo em 18 de outubro de 2008. A data coincidiu exatamente com o dia em que ele e seus familiares receberam a confirmação do óbito de Eloá, baleada pelo agressor no apartamento da família.

“Talvez aquele dia tenha revelado o que sempre existiu dentro de você: a capacidade de se levantar quando a vida parece impossível. Você poderia ter permitido que a dor definisse a sua história, mas escolheu transformá-la em um propósito”, escreveu Cíntia na publicação.

Embora a opinião pública costume associar o ingresso de Ronickson nas forças de segurança ao desfecho do sequestro de sua irmã, a esposa esclareceu na postagem que a carreira militar já era uma meta antiga do oficial. Antes de ingressar na PM, ele havia servido como fuzileiro naval na Marinha do Brasil.

“Algumas pessoas costumam dizer que você entrou para a polícia por causa da perda da sua irmã, mas a verdade é que a admiração pela Polícia Militar já existia dentro de você muito antes. O que poucos sabem é que a sua história e a da polícia se cruzaram de uma forma que só os mais fortes conseguem suportar. Você transformou a sua maior dor em uma missão de vida”, ressaltou.

Ronickson ingressou na PM como soldado, formou-se oficial na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 2015 e passou a integrar o batalhão de choque da Rota em 2019. Em 2012, ele atuou como uma das principais testemunhas de acusação no julgamento de Lindemberg Alves, ocasião em que confrontou o réu no tribunal, descrevendo-o como uma pessoa agressiva e possessiva.

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