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Cotidiano

Estudo revela queda drástica de fêmeas de onça-pintada e risco de colapso no Amazonas

Por Redação ContilNet 23/08/2026 20:14
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A população total de onças-pintadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Estado do Amazonas, permaneceu relativamente estável entre os anos de 2005 e 2022, mantendo uma média estimada de 610 indivíduos. No entanto, um levantamento científico inédito revelou um dado crítico que preocupa pesquisadores: no mesmo período, o número de fêmeas da espécie sofreu uma queda drástica de 77%.

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O resultado faz parte de um estudo conduzido pelo Instituto Mamirauá em parceria com a organização internacional Panthera, publicado na revista científica Journal of Applied Ecology. A pesquisa alerta que, embora a contagem geral de animais não transpareça a gravidade da situação à primeira vista, o declínio acentuado das fêmeas compromete diretamente a capacidade de renovação da espécie na região.

Enquanto o contingente feminino encolheu, os cientistas registraram um aumento significativo na densidade de machos na reserva. Diferente dos machos, as fêmeas são as únicas responsáveis pela gestação e criação dos filhotes, além de apresentarem menor tendência a migrar de outras áreas geográficas para repovoar territórios.

Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores para explicar esse desequilíbrio está a pressão causada pela caça. A remoção de machos residentes abre espaço territorial para a entrada de indivíduos vindos de regiões vizinhas. Essa movimentação migratória, por sua vez, tende a elevar a mortalidade de filhotes por infanticídio — comportamento em que novos machos dominantes matam a prole existente para induzir as fêmeas ao cio mais rapidamente.

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Outro fator investigado pelo grupo de especialistas envolve a circulação de enfermidades infecciosas entre os animais do ecossistema local. Testes prévios já identificaram a presença de patógenos como o vírus do Nilo Ocidental, o vírus da encefalite de Saint Louis, além de doenças graves como cinomose e leucemia felina.

Os dados do estudo indicam que a sobrevivência dos espécimes adultos permanece alta, mas o recrutamento de novas fêmeas para a população é extremamente baixo. Dessa forma, o fluxo constante de machos vindos do exterior da reserva cria uma falsa sensação de estabilidade, mascarando a perda real da capacidade reprodutiva do grupo.

Se a tendência de redução das fêmeas persistir nos próximos anos, a população local de onças-pintadas enfrentará um colapso iminente, mesmo que os índices totais de animais aparentem normalidade no momento.

Diante dos achados, o Instituto Mamirauá informou que pretende intensificar o trabalho comunitário com os moradores da reserva, desenvolvendo estratégias conjuntas de conservação, monitoramento e proteção da fauna na Amazônia.

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