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Cotidiano

Estudos no Acre associam desmatamento ao avanço da leishmaniose e doença de Chagas

Por Fhagner Soares, ContilNet 29/08/2026 18:13
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Pesquisas científicas desenvolvidas no Acre revelam que a derrubada da vegetação nativa na Amazônia altera de forma direta a transmissão de doenças tropicais negligenciadas. Os levantamentos indicam que o desmatamento e a ocupação humana elevam os riscos de contágio de leishmaniose e doença de Chagas, além de confirmar dados anteriores sobre a proliferação da malária.

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Conduzidos por pesquisadores do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e financiados pela FAPESP e pelo Programa Iniciativa Amazônia+10, os trabalhos foram publicados nos periódicos internacionais Parasites & Vectors e PLOS One.

O grupo realizou expedições de campo entre 2022 e 2024 em 20 pontos de um assentamento rural em Cruzeiro do Sul, município situado na margem esquerda do rio Juruá. A região sofre constante pressão do desmatamento, o que permitiu comparar áreas de floresta preservada com terrenos em diferentes estágios de degradação.

Na investigação sobre a leishmaniose, a equipe constatou que a densidade do mosquito-palha — com predomínio da espécie Nyssomyia antunesi — está ligada ao histórico do desmatamento e ao tempo de consolidação da presença humana, e não apenas ao percentual de mata existente. Os insetos se adaptam aos ambientes modificados e multiplicam suas populações conforme as comunidades se estabelecem.

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A leishmaniose registra média anual de três casos para cada 10 mil habitantes em Cruzeiro do Sul, atingindo com maior frequência jovens do sexo masculino em áreas rurais. A infecção pode provocar feridas na pele, lesões nas mucosas e, na forma visceral, afetar órgãos internos.

No caso da doença de Chagas, os dados apontam que o desmatamento reduz a distância entre as palmeiras e as casas. Os barbeiros infectados pelo Trypanosoma cruzi, que vivem em vegetações próximas, voam até os imóveis atraídos pelas luzes ou em busca de alimentos, aumentando a exposição dos moradores.

Os achados atuais somam-se a um levantamento de 2025 do mesmo grupo, que associou o pico de transmissões de malária a locais parcialmente desmatados, com cerca de 50% de cobertura vegetal.

Diante do diagnóstico, a equipe coordenada pelo biólogo Gabriel Laporta iniciou uma etapa prática voltada à restauração ambiental. O projeto envolve moradores locais no plantio de espécies florestais nativas, combinado com o monitoramento digital de cenários para avaliar a redução dos casos de malária e outras infecções.

A proposta busca demonstrar que o reflorestamento de áreas degradadas atua de forma preventiva na contenção de surtos epidemiológicos na região amazônica.

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