Uma mulher de 64 anos foi resgatada com vida dez dias após os deslizamentos de terra que atingiram a região do Himalaia, no Nepal. Chandika Kumari Shresth foi retirada dos destroços de uma casa na localidade de Betravati, em uma operação conjunta formada pela Polícia Nacional e pela Força de Polícia Armada do país.
A idosa sobreviveu em um espaço reduzido formado entre os escombros, cercada por lama e água. A família da sobrevivente já havia perdido a esperança de encontrá-la e havia iniciado o período tradicional de 11 dias de rituais de luto.
Segundo o policial Mahendra Darnal, integrante da equipe de buscas, a descoberta ocorreu por acaso durante uma patrulha pela área afetada. “A casa de quatro andares foi levada pelas enchentes e ficou no meio de areia movediça. Enquanto caminhávamos ao redor dela, ouvimos uma voz dizendo: ‘Salve-me'”, relatou o agente.
O trabalho de retirada durou cerca de 45 minutos. Após o resgate, Chandika foi encaminhada para um hospital militar da região. Na mesma ação, os socorristas conseguiram retirar outro sobrevivente que estava preso em um túnel de usina hidrelétrica.
Os deslizamentos registrados na semana passada foram provocados pelo colapso de uma geleira no Himalaia. O impacto do desprendimento gerou uma vibração no solo equivalente a um terremoto de magnitude 5,2.
De acordo com dados atualizados do governo nepalês, o desastre deixou ao menos 1.344 mortos. As forças de segurança contabilizam 4.886 pessoas desaparecidas, das quais 2.930 são cidadãos nepaleses e 606 são estrangeiros.
Cerca de 8.000 agentes policiais trabalham no rastreamento das áreas atingidas. Nos últimos dias, equipes de resgate também retiraram dois operários com vida de dentro de estruturas subterrâneas de hidrelétricas da região.
A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA) estima que mais de 20 mil residências foram destruídas ou severamente danificadas, exigindo reconstrução completa nas áreas atingidas.
