Intestino é mesmo o segundo cérebro? Entenda essa conexão
O intestino ganhou o apelido de “segundo cérebro” porque possui uma extensa rede de neurônios capaz de coordenar boa parte da digestão. Isso não significa, porém, que o órgão pense, tenha consciência ou tome decisões como o cérebro.
Essa rede é chamada de sistema nervoso entérico e está distribuída pelas paredes do trato gastrointestinal. Segundo o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos, ela reúne mais de 300 milhões de neurônios.
O sistema controla movimentos responsáveis por empurrar os alimentos, participa da liberação de secreções e ajuda a coordenar diferentes etapas da digestão. Embora consiga executar tarefas localmente, ele permanece conectado ao cérebro e recebe influência do restante do sistema nervoso.
Essa comunicação é conhecida como eixo intestino-cérebro e funciona nos dois sentidos. Ela envolve nervos — entre eles o nervo vago —, hormônios, células do sistema imunológico e substâncias produzidas pelos microrganismos que vivem no intestino.
Por isso, situações de estresse podem provocar dor abdominal, náusea, diarreia ou prisão de ventre. No sentido contrário, alterações intestinais também podem enviar sinais capazes de influenciar o apetite, o comportamento e o estado emocional. Estudos científicos descrevem essa comunicação como uma interação bidirecional entre o intestino e o sistema nervoso, mas ainda investigam seus mecanismos e limites (NIH).
A existência desse eixo não significa que probióticos, suplementos ou dietas específicas tratem sozinhos ansiedade e depressão. As pesquisas são promissoras, mas os resultados ainda não autorizam substituir acompanhamento médico ou psicológico por produtos voltados à microbiota.
Dor persistente, sangue nas fezes, perda de peso sem explicação ou mudança prolongada no funcionamento intestinal devem ser investigados por um profissional de saúde.