20/09/2026

Lula assina artigo com líderes internacionais e lança aliança para reformar a ONU

Em texto no Financial Times, chefes de Estado de Brasil, Canadá, Quênia e Conselho Europeu anunciam criação do grupo Parceiros para o Multilateralismo

Por Redação ContilNet
Grupo defende reformulação do Conselho de Segurança e cooperação em temas como inteligência artificial e clima/ Foto: Reprodução

Às vésperas da abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um artigo conjunto com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, o presidente do Quênia, William Ruto, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Publicado neste domingo (20) pelo jornal britânico Financial Times, o texto oficializa o lançamento da aliança Parceiros para o Multilateralismo (P4M).

A proposta do grupo é articular reformas em organismos internacionais sem a criação de estruturas burocráticas rígidas. A aliança surge em um contexto de escalada nas tensões globais, marcado pelo registro de 65 conflitos armados entre Estados espalhados por 35 países em 2025 — o maior índice apurado desde 1946 —, enquanto as despesas militares no mundo alcançaram a marca histórica de US$ 2,9 trilhões.

No artigo, os quatro chefes de governo pontuam que o objetivo central da iniciativa é aproximar nações de diferentes espectros políticos para destravar pautas de cooperação em um cenário internacional fragmentado. A alteração na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU aparece como prioridade declarada do bloco.

De acordo com os signatários, o grupo atuará de forma complementar às instituições já existentes, buscando modernizar a governança econômica global e pactuar diretrizes conjuntas para desafios recentes, como a regulamentação da inteligência artificial, o enfrentamento das mudanças climáticas, a segurança sanitária e a transição digital.

A articulação reflete a pauta externa mantida pela diplomacia brasileira, que vem cobrando a ampliação do número de assentos permanentes na ONU e a redução dos orçamentos voltados ao rearmamento das potências globais.

As reuniões da 81ª Assembleia Geral da ONU ocorrem ao longo desta semana nos Estados Unidos, com debates centralizados nos conflitos na Europa e no Oriente Médio, além da crise climática.

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