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Cotidiano

Mais da metade das mulheres acima de 40 anos tem incontinência urinária no país, diz pesquisa

Por Redação ContilNet 09/08/2026 17:45
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A perda involuntária de urina atinge 56% das mulheres brasileiras com mais de 40 anos. Apesar da alta incidência, 87% das afetadas pela incontinência urinária relatam nunca ter recebido tratamento médico para o problema. Os dados constam de um levantamento feito pela consultoria Ipsos a pedido da farmacêutica Apsen.

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A pesquisa ouviu 1,5 mil mulheres em todas as regiões do país entre o fim de junho e o início de julho de 2026. O levantamento mostra que a falta de informação, o silêncio e as dificuldades no atendimento médico dificultam o diagnóstico e o acesso ao acompanhamento adequado.

A condição provoca alterações diretas na rotina das pacientes. Entre as entrevistadas com o sintoma, 52% afirmaram ter modificado costumes do cotidiano por receio de escapes involuntários. As adaptações variam entre a utilização contínua de protetores diários, a preferência por locais com sanitários acessíveis, a restrição de exercícios físicos e mudanças na escolha de roupas.

A interferência do quadro estende-se ao equilíbrio emocional. Entre as afetadas pela incontinência urinária mista, quase 30% relataram sentimentos de ansiedade, estresse, vergonha ou tristeza. Além disso, um terço declarou ter evitado tocar no assunto inclusive com familiares ou amigos próximos.

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A psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, da Universidade de São Paulo (USP), ressalta o impacto da limitação no dia a dia. “Quando uma condição limita atividades como sair, trabalhar ou conviver com tranquilidade, é importante criar espaços de acolhimento para que a mulher possa buscar ajuda sem constrangimento”, afirmou.

A reserva em discutir o tema manifesta-se também nos consultórios. No grupo acima dos 50 anos, 64% das entrevistadas afirmaram ter resistência em relatar os episódios aos médicos. Outro dado aponta que mais de 50% das mulheres ouvidas nunca foram questionadas por profissionais de saúde sobre perdas urinárias em consultas preventivas de rotina.

Para a urologista Rebeka Cavalcanti, do Hospital dos Servidores do Estado, o cenário indica uma lacuna na anamnese médica. “Muitas pacientes convivem com os sintomas por anos antes de procurar avaliação. O diagnóstico correto é essencial para definir o tratamento adequado”, declarou.

Apesar de 79% das participantes classificarem a incontinência como um problema relevante de saúde e 58% saberem da existência de tratamentos, apenas 13% realizam algum tipo de acompanhamento profissional. O estudo identificou ainda desconhecimento sobre as diferentes modalidades do quadro e sobre a atuação do urologista no atendimento ao público feminino.

A pesquisa integra as ações do projeto Escape do Tabu, voltado a disseminar informações sobre saúde urinária e incentivar a busca por orientação especializada.

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