Marcha de Evo Morales chega Ă  capital da BolĂ­via e governo Arce responde: ‘Ameaça’

Apoiadores do ex-presidente marcharam 280km para manifestar apoio a Evo e pedir candidatura em 2025

Por Marina, ContilNet 25/09/2024 Ă s 07:47
Manifestantes deixaram a cidade de Caracollo a 280km de La Paz e chagaram a capital nesta segunda-feira - Jorge Bernal / AFP

O ex-presidente da BolĂ­via Evo Morales pediu a troca de ministros “corruptos e traficantes” em atĂ© 24 horas. Ele participou da marcha que começou na Ășltima semana e chegou nesta segunda-feira (23) Ă  capital La Paz. Segundo o ex-mandatĂĄrio, o presidente Luis Arce tem 24 horas para fazer as mudanças “se quiser continuar governando”.

Milhares de bolivianos participaram da marcha que partiu da cidade de Caracollo, a 280km da capital, em 17 de setembro. Chamada de “Marcha para salvar a Bolívia”, o ato teve 36 feridos depois de confrontos com a polícia. Evo Morales disse ao final da manifestação que o objetivo era acabar com a “traição e acima de tudo a corrupção, a proteção do tráfico de drogas e a má gestão”.

Manifestantes deixaram a cidade de Caracollo a 280km de La Paz e chagaram a capital nesta segunda-feira – Jorge Bernal / AFP

A marcha tinha como destino a sede do governo boliviano, mas as forças de segurança fecharam os acessos ao centro de La Paz para evitar contato entre os manifestantes e o palåcio presidencial. O protesto terminou em frente ao edifício da Cervecería Boliviana Nacional (CBN), com um palco onde Evo discursou.

O MinistĂ©rio das RelaçÔes Exteriores respondeu Ă s declaraçÔes de Evo Morales. Em nota, a chancelaria chamou a postura de Morales de “ultimato”, disse que o pedido para trocar ministros “ameaça interromper a continuidade da ordem democrĂĄtica” e chamou os envolvidos para um diĂĄlogo. O governo ainda condenou “qualquer tipo de extorsĂŁo ou condicionamento contra a vontade do povo manifestado nas urnas”.

Depois dos confrontos durante a Ășltima semana, o presidente Luis Arce fez um pronunciamento na TV afirmando que nĂŁo daria “o gosto de uma guerra civil para Evo Morales”. Apoiadores do mandatĂĄrio tambĂ©m se reuniram em um movimento nesta terça para prestar apoio a Arce.

A marcha teve como estopim a escassez de combustíveis no país. A Bolívia enfrenta desde o ano passado problemas com fornecimento de gasolina e gås, além da falta de dólares. A exportação de gås para o exterior passou por uma queda, o que levou a um problema na entrada de dólares. A produção de gasolina e diesel também sofreu uma queda, o que fez com que o preço dos combustíveis subissem. Com isso, a importação de gasolina chegou a 56% e a de diesel a 86%.

Para economistas bolivianos, o subsídios aos combustíveis nessas condiçÔes representa um gasto de US$ 3 bilhÔes (R$ 16 bilhÔes, aproximadamente) para o governo boliviano. Para custear essas importaçÔes, Arce usou parte das reservas internacionais, o que levou a falta de dólares e, consequentemente, a desvalorização do peso boliviano.

Disputa no MAS

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales enfrenta Luis Arce em uma disputa política pela candidatura nas eleiçÔes presidenciais de 2025.

Em 2023, Morales foi inabilitado pelo Tribunal Constitucional Plurinacional da BolĂ­via (TCP) a concorrer Ă  PresidĂȘncia em 2025. A Corte decretou em dezembro daquele ano que presidentes e vice-presidentes sĂł poderiam exercer o cargo por dois mandatos, de forma seguida ou nĂŁo.

Essa era uma lacuna que jå existia na Constituição boliviana. Antes, a Carta Magna afirmava que o presidente não poderia exercer o cargo por mais de dois mandatos, mas não especificava se eram seguidos ou não. Com a sentença judicial 1010, Evo Morales, que foi presidente por quatro mandatos, não poderia voltar ao poder.

Os apoiadores de Evo consideram que, com um novo Tribunal Constitucional, essa norma poderia cair e ele poderia voltar a ser candidato em 2025. Morales tenta reverter o impedimento por meio de manifestaçÔes populares e da eleição de novos juízes eleitorais que revisariam essa decisão.

A disputa interna entre apoiadores de Evo Morales e de Luis Arce começou quando Evo voltou à Bolívia em 2020, após passar um ano exilado na Argentina por conta do golpe de Estado que levou à derrubada de seu governo, em 2019. O ex-presidente começou a criticar algumas decisÔes de Arce e seu apoiadores.

O MAS estĂĄ dividido entre a ala que apoia Luis Arce e um grupo favorĂĄvel Ă  volta do ex-presidente.

ConteĂșdo Original / Fonte: Brasil de fato

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