MP acusa estagiário de oferecer facilidade em troca de isenção em academia

Residente técnico teria oferecido serviços do escritório da mãe para réu de violência doméstica em troca de mensalidade grátis

Por Redação ContilNet 29/05/2026 às 06:23
Residente de pós-graduação usou informações de denúncia de violência doméstica para tentar captar cliente para o escritório da mãe/ Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) apresentou uma acusação formal contra um estagiário de pós-graduação, que atuava como residente técnico no próprio órgão, sob a suspeita de negociar facilidades e oferecer serviços advocatícios particulares em troca de vantagens financeiras. O jovem teria utilizado o acesso privilegiado a informações internas para tentar angariar um cliente para o escritório de advocacia de sua mãe.

De acordo com a denúncia do MPPR, o alvo da investida do estagiário foi o proprietário de uma academia de ginástica, que responde a um processo criminal por violência doméstica. O residente técnico teria proposto ao empresário que contratasse a mãe dele para assumir a sua defesa jurídica privada. Em contrapartida, o funcionário do Ministério Público receberia a isenção integral no pagamento das mensalidades do estabelecimento esportivo.

Os investigadores apontam que o contato foi estabelecido por meio de mensagens de texto, logo após os autos do processo criminal de violência doméstica serem distribuídos e chegarem fisicamente à Promotoria de Justiça onde o estudante desempenhava as suas funções de residência. No texto enviado ao investigado, o estagiário mencionava expressamente ter conhecimento prévio de que o réu pretendia recorrer a um advogado dativo — profissional nomeado pelo Estado — para acompanhar o caso perante o Judiciário.

As apurações do Ministério Público indicam que o estagiário de pós-graduação teria insinuado que a sua posição e a sua influência nos bastidores da Promotoria de Justiça poderiam beneficiar diretamente o andamento da ação penal. A estratégia consistia em convencer o dono da academia a migrar para o escritório familiar sob a promessa de que haveria maiores chances de obter um veredito de sucesso ou facilidades no rito processual.

A conduta irregular acabou descoberta após um desdobramento familiar do réu. A ex-mulher do empresário — e autora da denúncia de violência doméstica — encontrou o histórico das mensagens enviadas pelo residente técnico guardado no aparelho celular do acusado.

A mulher recolheu o conteúdo dos diálogos, preservou as evidências e entregou o material diretamente à Promotoria de Justiça local. O compartilhamento das mensagens permitiu ao Ministério Público cruzar os dados e identificar o ramal e o servidor responsável pelo vazamento de informações e pela oferta de vantagens indevidas.

O órgão instaurou os procedimentos cabíveis para apurar a responsabilidade administrativa e criminal do estudante envolvido no episódio.

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