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Cotidiano

Painel destaca potencial dos fitoterápicos amazônicos na bioeconomia

Por Sebrae Acre 18/09/2026 14:37
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A riqueza da biodiversidade amazônica e os caminhos para transformar recursos da floresta em produtos, negócios e oportunidades de desenvolvimento sustentável foram discutidos durante o painel “Fitoterápicos da Floresta: Oportunidades para a bioeconomia e o desenvolvimento sustentável”, realizado nesta quinta-feira (17), no anfiteatro Garibaldi Brasil, na Universidade Federal do Acre (Ufac), como parte da programação do Amazônia Summit 2026.

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O debate reuniu o professor e pesquisador José Carlos Tavares, o administrador de empresas Rafael Rosa e o consultor de inovação da Gran Sistemas, Vander Nicácio, que atuou como mediador. A discussão abordou o potencial dos recursos naturais da Amazônia para o desenvolvimento de fitoterápicos, os desafios regulatórios e de certificação e a necessidade de aproximar academia, empreendedores e comunidades, para que a biodiversidade possa gerar produtos competitivos.

Os fitoterápicos são produtos desenvolvidos a partir de plantas medicinais, que possuem substâncias com propriedades capazes de produzir efeitos terapêuticos no organismo. Eles podem ser encontrados em diferentes formas, como comprimidos, cápsulas, xaropes e cremes, e são utilizados para auxiliar no tratamento ou alívio de doenças, sintomas e outras condições de saúde.

Durante o painel, o professor e pesquisador, José Carlos Tavares destacou a dimensão da biodiversidade amazônica e o potencial ainda pouco explorado para a produção de medicamentos e outros produtos relacionados à saúde.

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Segundo ele, existe uma distância significativa entre a riqueza natural disponível e a capacidade de transformar essa biodiversidade em produtos em escala.

Eu olho para a nossa Amazônia e digo: ‘meu Deus do céu, tantas moléculas nós temos nesta floresta que podem resolver muitos problemas de saúde da população brasileira e mundial’, afirmou.

Professor e pesquisador, José Carlos Tavares destacou a dimensão da biodiversidade amazônica. Foto: João Henrique Silva

O pesquisador também chamou a atenção para a quantidade de fitoterápicos registrados no Brasil em comparação com países que possuem uma biodiversidade menor. De acordo com os dados apresentados por ele durante o painel, o Brasil possui atualmente cerca de 350 fitoterápicos registrados, enquanto o Reino Unido teria cerca de 3 mil e a Alemanha, 6 mil.

Para Tavares, entre os pontos que precisam entrar no centro da discussão está o processo de registro desses produtos. Segundo ele, embora o Brasil tenha uma biodiversidade expressiva em diferentes biomas, ainda existem dificuldades para transformar esse patrimônio natural em produtos disponíveis no mercado.

“Existe um gap extremamente grande entre nós termos esta riqueza em termos de biodiversidade, mas nós não temos a facilidade para escalar esta grande biodiversidade para tornar produtos em si”, explicou.

A questão regulatória também foi apontada por Rafael Rosa como um dos principais desafios para quem pretende desenvolver fitoterápicos no país. Ao mesmo tempo, o administrador destacou que a biodiversidade representa um campo amplo de possibilidades para novos negócios.

“É um país com a maior riqueza de biodiversidade no mundo, porém, cerca de 1% dessa biodiversidade é padronizada e utilizada como ativos para fitoterápicos. Assim, a gente tem praticamente um oceano azul para desbravar pela frente”, destacou.

Rafael também chamou atenção para uma percepção que, segundo ele, ainda existe em parte da sociedade amazônica: a associação entre a floresta e o atraso econômico. Para o especialista, a mudança dessa visão passa pela criação de alternativas capazes de gerar renda a partir da própria biodiversidade.

Na avaliação dele, assim como as comunidades enfrentam desafios relacionados à logística, quem desenvolve fitoterápicos encontra nos processos de certificação um dos principais gargalos. Ainda assim, ele considera que há espaço para ampliar a participação de produtos amazônicos no mercado.

Questão regulatória também foi apontada por Rafael Rosa como um dos principais desafios para quem pretende desenvolver fitoterápicos no país. Foto: João Henrique Silva

Aproximação de conhecimento

A necessidade de aproximar conhecimento científico e mercado também esteve entre os pontos levantados pelo mediador Vander Nicácio. O consultor lembrou que uma das dificuldades enfrentadas pelo Inova Amazônia, desde suas primeiras edições, foi justamente fazer com que empreendedores e pesquisadores compreendessem o conceito de bioeconomia e suas possibilidades.

Segundo Vander, quando o programa começou a trabalhar com um edital voltado a startups de bioeconomia, foi necessário primeiro capacitar os participantes para que compreendessem tanto o conceito de bioeconomia quanto o próprio modelo de startup.

“Eu acho que a própria academia, assim como as comunidades, assim como os empreendedores, têm que entender o que é bioeconomia”, pontuou.

O especialista destacou ainda a participação da academia no ecossistema de inovação do Acre. De acordo com o mediador, o estado chegou a registrar 170 inscrições no Inova Amazônia em 2021, ficando atrás apenas do Amazonas em quantidade de projetos inscritos, e grande parte das propostas teve origem em trabalhos desenvolvidos nas universidades.

Para ele, a conexão entre pesquisa e empreendedorismo é essencial para que produtos desenvolvidos a partir da biodiversidade possam alcançar escala e competitividade.

A academia precisa fazer negócio porque isso vai fomentar que ela cresçadefendeu.

O mediador relacionou essa aproximação diretamente ao debate sobre fitoterápicos. Segundo ele, para que um produto desenvolvido a partir da biodiversidade amazônica deixe o campo da pesquisa e chegue ao consumidor, é necessário enfrentar questões como escala de produção e estruturação dos negócios.

Fitoterápicos são produtos desenvolvidos a partir de plantas medicinais, que possuem substâncias com propriedades capazes de produzir efeitos terapêuticos no organismo. Foto: Pedro Nascimento

Exemplo prático

Um exemplo prático onde é possível visualizar o debate é a startup Amazon Bioprotein. Ela foi fundada em dezembro de 2023, em Macapá, no estado do Amapá, pela empreendedora Antonia Bezerra, de 79 anos.

Segundo ela, a Amazon Bioprotein nasceu com a proposta de transformar a biodiversidade amazônica em produtos voltados à alimentação e à qualidade de vida. O primeiro produto desenvolvido pela startup é uma farinha de cariru, planta típica da Amazônia que, de acordo com Antonia, apresenta alto valor proteico e nutricional.

Amazon Bioprotein nasceu com a proposta de transformar a biodiversidade amazônica em produtos voltados à alimentação e à qualidade de vida. Foto: Pedro Nascimento

“Nós estamos com o nosso primeiro produto, que é a proteína vegetal, que substitui a proteína animal na alimentação humana. Sem aditivos químicos, sem agrotóxico, um produto o mais natural possível. Essa é a proposta da Amazônia Protein”, explicou.

A empreendedora conta que escolheu trabalhar com o cariru por fazer parte de sua própria história de alimentação. A partir desse conhecimento, Antônia decidiu desenvolver uma alternativa que pudesse ser apresentada a consumidores interessados em novas fontes de proteína.

A farinha, segundo a fundadora da marca, concentra não apenas proteínas, mas também minerais presentes na planta, como ferro, manganês, potássio e zinco. A startup também trabalha em pesquisas para o desenvolvimento de novos produtos, incluindo um suplemento proteico.

“Eu escolhi trabalhar com cariru porque eu consumi cariru a minha vida inteira e nunca tive nenhum tipo de problema de saúde. Então eu quis divulgar, eu quis oferecer isso para um público que busca essa qualidade de vida”, detalhou.

Conteúdo Original / Fonte: Sebrae Acre
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