Pesquisadores da criam técnica que multiplica folículos e revoluciona transplante capilar

Método baseado em organoides permite expandir fios em laboratório a partir de pequena amostra do próprio paciente

Por Fhagner Soares, ContilNet 22/07/2026 às 06:45
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Uma equipe de cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu uma tecnologia inédita que promete transformar o cenário da restauração capilar. O procedimento, atualmente em fase pré-clínica, possibilita a multiplicação de folículos em ambiente laboratorial a partir de uma amostra reduzida de tecido extraída do próprio indivíduo. A inovação abre perspectiva de tratamento para pessoas com alopecia severa, vítimas de queimaduras ou pacientes que sofreram perda de cabelo decorrente de tratamento quimioterápico.

A metodologia consiste no desmembramento dos folículos doados por meio do uso de reagentes específicos, isolando estruturas essenciais como queratinócitos e células-tronco. Em seguida, essas unidades celulares são cultivadas em recipientes especiais até darem origem a organoides — estruturas em miniatura que reproduzem o funcionamento do órgão original —, disparando o processo natural de crescimento dos fios. Como os insumos biológicos derivam do próprio paciente, os riscos de rejeição imune são minimizados.

Além de atender pessoas que antes eram descartadas para o procedimento tradicional por ausência de área doadora suficiente, a técnica altera a logística da intervenção médica. Enquanto o implante convencional pode se estender por até dez horas contínuas, a aplicação dos folículos pré-multiplicados reduz a duração da cirurgia para aproximadamente duas horas, diminuindo o desgaste físico do paciente e otimizando a precisão do transplante.

Para o ambiente hospitalar oncológico, a tecnologia viabiliza a coleta preventora de folículos antes do início da quimioterapia. O material pode ser preservado por congelamento para posterior expansão e reimplante ao término do ciclo medicamentoso, auxiliando no processo de recuperação estética e emocional de pacientes. O protocolo conta ainda com uma etapa de triagem de qualidade dos folículos antes do enxerto, medida projetada para acelerar a cicatrização e diminuir processos inflamatórios locais.

Os pesquisadores concentram esforços no aprimoramento do protocolo de cultivo para assegurar que as estruturas desenvolvidas mantenham de forma integral os traços genéticos do indivíduo, como pigmentação e textura original dos fios. O planejamento da equipe prevê mais 18 meses de estudos pré-clínicos, fase que abrange os ensaios em modelos animais antes da autorização para os primeiros testes em humanos.

Visando à inserção comercial da descoberta, os idealizadores estruturaram uma spin-off acadêmica em parceria com investidores da iniciativa privada. A meta é distribuir a solução para clínicas especializadas e posicionar a ciência brasileira no segmento internacional de biotecnologia voltado ao mercado capilar.

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