PIB desacelera para 0,5% no 2º trimestre com queda no consumo e peso dos juros
A economia brasileira registrou desaceleração entre abril e junho deste ano, aponta o balanço do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço da atividade econômica ficou em 0,5% no segundo trimestre, ritmo inferior ao crescimento de 1,1% apurado nos três primeiros meses do ano.
O resultado mais modesto foi acompanhado pela retração no consumo das famílias, que encolheu 0,4% após haver avançado 0,8% no trimestre anterior. Por se tratar do componente de maior peso sobre a demanda interna, o recuo nas despesas do consumidor pressionou o desempenho do setor de serviços, que cresceu apenas 0,2%. A indústria variou 0,1%, enquanto a agropecuária registrou alta de 2,8% no período.
A perda de fôlego do produto nacional decorre da manutenção da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados — atualmente fixada em 14% ao ano — e do forte endividamento das famílias, que alcança 49,8% da renda, valor próximo ao teto histórico apurado pelo Banco Central.
Em nota técnica editada pela Secretaria de Política Econômica (SPE), o Ministério da Fazenda atribuiu a desaceleração aos reflexos da política monetária restritiva. Segundo o documento da pasta, os juros elevados continuam a conter a expansão dos setores mais sensíveis ao crédito, como o comércio, a construção civil e a indústria de transformação.
Diante do quadro apresentado pelo IBGE, a equipe econômica admitiu que a estimativa oficial de crescimento do PIB para 2026, hoje fixada em 2,3%, passa por revisão com viés de baixa. A nova projeção consta do próximo Boletim Macrofiscal. O Banco Central estima alta de 2% para o ano, ao passo que a média das projeções do mercado financeiro aponta expansão de 1,92%.
O movimento de retração do consumo levou o Banco Central a anunciar providências pelo Comitê de Estabilidade Financeira (Comef). Em comunicado, a autarquia informou que elabora medidas regulatórias destinadas a conter os riscos do endividamento associado a modalidades de crédito de alto custo, visando à sustentabilidade do sistema bancário.
Para atenuar o comprometimento financeiro dos trabalhadores, o governo federal lançou em maio o programa Novo Desenrola Brasil, focado em condições facilitadas para a renegociação de débitos pessoais com taxas reduzidas.
No front monetário, a Selic passa por um ciclo de cortes graduais, tendo sido reduzida em 0,25 ponto percentual em sua reunião anterior. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central volta a se reunir nos dias 15 e 16 deste mês para decidir o novo rumo da taxa básica.