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Cotidiano

Preso por matar a esposa, tenente-coronel relata submissão em presídio

Por Redação ContilNet 07/09/2026 05:57
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Detido sob a acusação de ter assassinado a mulher, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto afirmou à Corregedoria da corporação viver sob uma inversão da hierarquia militar dentro do Presídio Romão Gomes, na zona norte paulistana.

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Em oitiva prestada no Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado de advogado, o oficial declarou ter passado a cumprir ordens de praças dentro da unidade. Segundo Geraldo, o raio em que está custodiado abriga 17 policiais, sendo o responsável pelo local um soldado com menos de cinco anos de serviço.

“Eu entro na cela, eu peço permissão para o mais antigo da cela, que é um soldado”, disse o indiciado no depoimento. O tenente-coronel afirmou realizar tarefas de limpeza de banheiros, corredores e louças, além do recolhimento diário das refeições dos demais detentos. “Eu sou um escravo”, declarou à equipe de investigação.

O oficial relatou ainda encontrar na cadeia praças e oficiais que chegou a fiscalizar ou punir quando comandava unidades nas zonas leste e oeste da capital. Em janeiro de 2025, o tenente-coronel deu voz de prisão a um tenente e a um pelotão por insubordinação. Ele alega sofrer cobranças desses policiais, além de virar alvo de chacotas devido à repercussão de mensagens íntimas trocadas com a vítima.

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As declarações sobre ameaças e constrangimentos fazem parte da versão apresentada por Geraldo. As apurações do IPM não trouxeram confirmação sobre represálias ocorridas no interior da unidade prisional.

Na esfera da Justiça comum, o interrogatório do tenente-coronel agendado para esta terça-feira (8) acabou adiado pela terceira vez.

Em despacho proferido na última sexta-feira (4), a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro transferiu a oitiva do réu para o dia 5 de outubro, às 13h. A mudança atende a um pedido da defesa por diligências complementares.

A magistrada determinou que o Instituto de Criminalística responda a questionamentos da defesa no prazo de 20 dias e solicitou que a perita Amanda Rodrigues Marinone esclareça a origem de uma gravação citada em audiência anterior.

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