Pressionada a fazer delação premiada na PF, produtora de filme sobre Bolsonaro resiste
— Alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10), a empresária Karina Gama tem sofrido pressões para firmar um acordo de delação premiada com os investigadores.
Karina é produtora do filme “Dark Horse”, obra focada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e comanda o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). As duas entidades também foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos por agentes federais nesta fase das investigações.
A interlocutores e pessoas próximas, a empresária relatou ter sido procurada inclusive por lideranças religiosas, que sugeriram a formalização do acordo de colaboração com a Justiça para mitigar eventuais desdobramentos criminais do caso.
Apesar da articulação, Karina resiste à possibilidade de colaborar. Aos aliados que recomendaram a delação, a produtora tem argumentado que não tem informações ou fatos a revelar à Polícia Federal, sustentando a premissa de que não cometeu atos ilícitos na gestão das entidades ou na captação de recursos para o longa-metragem.
A apuração conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) mira a aplicação de verbas de emendas parlamentares direcionadas às organizações ligadas a Karina por meio de termos de fomento. Os investigadores apuram se houve desvio de recursos públicos e repasses a empresas subcontratadas sem a devida comprovação de prestação de serviços.
As medidas cautelares cumpridas nesta quinta-feira foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em endereços no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.