Rio Branco concentra 61% dos casos confirmados de dengue no Acre em 2026

Diagnósticos por exames laboratoriais respondem por 71,1% das positivações no estado

Por Fhagner Soares, ContilNet 20/07/2026 às 05:34
Regional do Baixo Acre lidera notificações estaduais com 66,5% das confirmações da doença/Foto: Reprodução

O estado do Acre apresentou uma retração nos indicadores de circulação do vírus da dengue durante os primeiros cinco meses de 2026. No entanto, a capital, Rio Branco, mantém-se como o principal epicentro da enfermidade em território acreano. Dados consolidados do mais recente boletim epidemiológico emitido pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) apontam que a cidade concentra 607 das 993 infecções confirmadas no estado entre as semanas epidemiológicas 1 e 20 deste ano, o que representa um percentual de 61,1% do total.

Em termos globais, o volume de diagnósticos positivos no Acre recuou 84,5% frente a igual intervalo de 2025, período em que o sistema público de saúde havia chancelado 6.407 casos da doença. Atualmente, o acumulado estadual soma 1.455 notificações consideradas prováveis, das quais as 993 mencionadas já obtiveram confirmação definitiva. Apesar do recuo numérico, a Sesacre adverte que a taxa de incidência atual permanece em 165,2 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, patamar que comprova a transmissão ativa e contínua do vírus na região.

A distribuição geográfica detalhada pela vigilância epidemiológica demonstra a hegemonia de notificações na chamada Regional do Baixo Acre. O agrupamento de municípios reúne 660 casos confirmados, abrangendo 66,5% da totalidade acreana. Além da liderança isolada de Rio Branco, o município de Sena Madureira desponta como a segunda localidade com maior impacto nesta regional, somando 19 confirmações.

Na sequência, a Regional do Juruá responde por 266 diagnósticos positivos (26,8% do montante estadual). O principal foco da transmissão nesta área concentra-se em Cruzeiro do Sul, com 153 registros, seguido por Mâncio Lima, com 66 ocorrências. Por fim, a Regional do Alto Acre exibe os menores patamares do estado, com 67 positivações (6,7% do total), tendo os municípios de Brasiléia e Xapuri como as referências locais, registrando 20 casos confirmados cada um.

O relatório técnico da autoridade sanitária detalha ainda o comportamento clínico dos pacientes infectados. Até o momento, o Acre computou 15 quadros clínicos classificados como dengue com sinais de alarme, que exigem monitoramento médico intensivo devido ao risco de evolução para formas graves da infecção. Adicionalmente, dois óbitos suspeitos de terem sido causados por complicações da doença permanecem em processo de investigação laboratorial e clínica pelas equipes de vigilância. As mortes sob análise envolveram residentes de Rio Branco e de Sena Madureira.

Quanto aos métodos de validação dos diagnósticos inseridos no sistema de monitoramento, o critério laboratorial foi predominante. Das 993 confirmações registradas até a 20ª semana epidemiológica do ano, 706 ocorrências (71,1%) foram constatadas por meio de exames de análises clínicas em laboratórios credenciados. O restante dos registros, totalizando 286 casos (28,8%), obteve validação por meio do protocolo clínico-epidemiológico, ferramenta aplicada quando o paciente manifesta sintomas clássicos e possui vínculo de proximidade com áreas ou pessoas que testaram positivo.

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