Sobreviventes de queda de helicóptero são suspeitos de ligação com o PCC
Três homens resgatados após a queda de um helicóptero na manhã deste domingo (20), na zona rural de Iaras, no interior de São Paulo, são investigados por suspeita de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As vítimas acionaram a Polícia Militar para pedir socorro logo após o acidente.
O resgate em área de mata fechada mobilizou equipes do 53º Batalhão de Polícia Militar do Interior, do Corpo de Bombeiros e do Comando de Aviação da PM, que utilizou um helicóptero Águia para transportar os feridos até o município vizinho de Avaré, onde receberam atendimento médico.
Segundo a Polícia Militar, um dos passageiros apresentou um nome falso durante a abordagem inicial. Consultas ao sistema Muralha Paulista indicaram que o homem acumula passagens por tráfico de drogas e cárcere privado, além de associação com um suspeito de integrar a facção no litoral paulista. A verdadeira identidade da vítima passará por verificação em exame datiloscópico.
O piloto da aeronave foi identificado como J. T. S., ex-militar da Aeronáutica. Ele cumpriu cerca de 15 anos de prisão por transporte internacional de drogas e não possui licença ativa na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O histórico de J. T. S. inclui uma prisão em 2012, quando foi flagrado com 200 quilos de cocaína em um avião. Na ocasião, ele foi detido ao lado de F. R., apelidado de Felipó, pivô da emboscada que resultou nas mortes de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, em fevereiro de 2018.
Gegê do Mangue e Paca integravam a alta cúpula da facção e foram mortos a tiros em uma reserva indígena em Aquiraz, no Ceará, após desembarcarem de um helicóptero. As mortes teriam ocorrido por disputas internas sobre desvios financeiros do grupo. Uma semana após o duplo homicídio, o proprietário do helicóptero usado na ação, W. F. S., conhecido como Cabelo Duro, foi executado a tiros de fuzil na zona leste da capital paulista.
A Polícia Militar informou que trabalha na checagem dos dados das vítimas do acidente em Iaras antes de oficializar os apontamentos do relatório. A área da queda permanece isolada para a perícia técnica do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa).