Durante sua participação na mesa “Crônicas e Orações”, realizada na Casa Folha na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a escritora Socorro Acioli respondeu a questionamentos do público sobre a possibilidade de escrever uma continuação para o seu aclamado romance A Cabeça do Santo (2014). Ao abordar o tema, a autora compartilhou uma história marcante envolvendo um projeto de remissão de pena pela leitura em uma penitenciária de segurança máxima no Espírito Santo.
Segundo a autora, a coordenação do projeto presencial entrou em contato após registrar um recorde de adesão entre os detentos: cerca de 60 internos leram a obra e organizaram um abaixo-assinado pedindo a visita da cearense ao local.
No encontro com os leitores da unidade prisional, um dos internos, identificado como Gérson, revelou ter lido o romance três vezes e cobrou a autora sobre a ausência de uma sequência para a história do personagem Samuel.
“Ele adorou o livro, disse que foi esse livro que fez o cérebro dele acordar, mas que tinha um problema ali: o livro era de 2014, a gente já estava em 2019 e eu não tinha escrito continuação. Ele disse que toda história tem que ter continuação e achou que era porque eu estava sem ideia. Ele se juntou com outros internos para me dar ideias para continuar. Então, se eu for continuar, vou pegar as ideias do Gérson”, contou Socorro Acioli sob risos do público.
O relato emocionou os participantes da palestra em Paraty, evidenciando o poder transformador da literatura e o impacto social da obra da escritora em ambientes de privação de liberdade.
