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Pimenta no Reino

Acreana que disputa o Senado acusa partido de não repassar fundo eleitoral

Por Matheus Mello, ContilNet 09/09/2026 13:25 Atualizado em 09/09/2026 13:26
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O PSB ainda não repassou os recursos do fundo eleitoral destinados à campanha da acreana Neidinha Suruí ao Senado por Rondônia. Em meio à crise que levou a direção nacional da legenda a cancelar as candidaturas apresentadas pelo partido no Estado, a candidata publicou um desabafo nas redes sociais e afirmou que está bancando a campanha com doações de apoiadores.

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“Preciso falar com muita transparência sobre o financiamento da minha campanha. A violência ainda não cessou. Até hoje, o partido não enviou o fundo eleitoral destinado à nossa candidatura, ignorando todas as regras, o bom senso, até a cota destinada às mulheres”, afirmou Neidinha.

A candidata disse que não está reivindicando tratamento privilegiado, mas igualdade de condições para disputar a eleição.

“Não estou falando de privilégios. Estou pedindo respeito à lei, transparência e igualdade de condições. Minha candidatura é legítima e precisa ser respeitada pelo partido”, declarou.

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Na mesma publicação, Neidinha afirmou que a campanha tem sido mantida por contribuições de pessoas que apoiam sua trajetória e pediu novas doações por meio de uma vaquinha disponibilizada em suas redes sociais.

ENTENDA O CASO: João Campos suspende candidatura de acreana: ‘Violência de gênero’

O desabafo ocorre poucos dias depois de a Executiva Nacional do PSB intervir no diretório estadual de Rondônia, destituir a direção local e nomear uma comissão provisória. No último mês, a nova direção aprovou, por unanimidade, o cancelamento das candidaturas e das coligações que haviam sido construídas pelo partido no Estado.

A decisão desmontou a chapa anunciada pelo PSB semanas antes, que tinha Samuel Costa como candidato ao governo, Sargento Machado como vice e Neidinha Suruí na disputa pelo Senado. A legenda também retirou as candidaturas proporcionais para deputado estadual e federal.

A nova composição apoiada pelo PSB passou a ter como cabeça o petista Expedito Netto, candidato ao governo de Rondônia pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, em aliança com a Federação PSOL/Rede.

A mudança provocou reação dos próprios candidatos que haviam sido lançados pelo partido. Samuel Costa classificou a decisão como arbitrária e afirmou que pretende contestá-la judicialmente. Segundo ele, a retirada das candidaturas teria irregularidades que poderiam impedir seu reconhecimento pela Justiça Eleitoral.

Neidinha, por sua vez, afirmou que a situação representa violência política e de gênero. A acusação acrescentou uma nova dimensão à crise, que deixou de ser apenas uma disputa interna pela condução do PSB em Rondônia e passou a atingir diretamente uma candidatura ao Senado.

Uma candidatura interrompida

Neidinha Suruí havia sido oficializada pelo PSB em julho, quando a legenda apresentou sua chapa como uma alternativa do campo progressista na eleição de Rondônia. A candidatura durou poucas semanas antes da intervenção nacional.

A trajetória da candidata ajuda a explicar o peso da disputa. Ivaneide Bandeira Cardozo, conhecida como Neidinha Suruí, nasceu em Plácido de Castro, no Acre, em 1959. Indigenista, ambientalista e defensora dos direitos dos povos indígenas, construiu sua carreira em Rondônia e se tornou uma figura conhecida na defesa da Amazônia e das comunidades indígenas.

Em 2024, ela disputou uma vaga na Câmara Municipal de Porto Velho pela Rede. Em abril deste ano, migrou para o PSB e passou a ser apresentada pela legenda como uma de suas principais apostas para o Senado.

Agora, além de ter a candidatura colocada em xeque pela própria direção nacional do partido, Neidinha afirma enfrentar dificuldades financeiras para manter a campanha e cobra publicamente o repasse dos recursos eleitorais.

Enquanto a disputa é levada para o campo judicial e político, a candidata tenta manter a campanha com o apoio de eleitores e simpatizantes. “Minha campanha está sendo feita com doações de pessoas que acreditam em uma política diferente, por quem conhece o nosso trabalho e acredita na nossa capacidade de realizações”, disse.

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