Agro transforma interior do Brasil e reforça proposta de Bocalom para o Acre
Uma reportagem publicada neste domingo (30) pela Folha de S.Paulo mostra que o crescimento do agronegócio está redesenhando o mapa econômico brasileiro. A produtividade, antes concentrada nos grandes centros industriais, avança agora pelo interior do país, especialmente nos estados que transformaram a produção rural em estratégia permanente de desenvolvimento.
Os resultados apresentados pela reportagem ajudam a compreender o modelo “Produzir para Empregar”, defendido pelo candidato ao governo Tião Bocalom (PSDB) há cerca de quatro décadas no Acre. A proposta parte de uma ideia direta: para gerar empregos, aumentar a renda e reduzir a dependência econômica, o estado precisa produzir.
Segundo a reportagem da Folha, entre 2002 e 2019, a produtividade brasileira cresceu 18,7%. Na agropecuária, porém, o avanço alcançou 80,1%, muito acima dos 10,3% registrados nos serviços e dos 5,4% verificados na indústria.
Estados que durante décadas ocuparam posições periféricas na economia nacional aparecem agora entre os que mais avançaram. O Piauí registrou crescimento de 103% na produtividade; o Maranhão, 86%; e o Tocantins, 69,7%. Mato Grosso também se tornou símbolo dessa transformação, com expansão muito superior à média brasileira.
Produção movimenta toda a economia
O principal ponto da reportagem é que o desenvolvimento provocado pelo campo não termina na porteira. O aumento da produção gera demanda por máquinas, sementes, fertilizantes, assistência técnica, crédito, transporte, armazéns e tecnologia.
Depois da colheita, a riqueza circula pelo comércio, pela construção civil, pelos serviços e pela indústria. A produção de milho pode abastecer fábricas de ração, alimentos e etanol. O leite alimenta a indústria de derivados. Frutas, café, arroz, feijão, carne e outros produtos também podem ser beneficiados, embalados e comercializados dentro da própria região.
Esse efeito multiplicador é justamente a base do “Produzir para Empregar”. Para Bocalom, a produção rural não deve ser tratada isoladamente, mas como o primeiro elo de uma cadeia capaz de gerar negócios e oportunidades tanto no campo quanto nas cidades.
Quando o agricultor produz mais, movimenta o comércio, contrata serviços, compra equipamentos e melhora sua propriedade. Ao mesmo tempo, surgem oportunidades para motoristas, mecânicos, técnicos, comerciantes, trabalhadores da construção, profissionais liberais e pequenos empreendedores.
Uma oportunidade para o Acre
O Acre possui terra, água, clima favorável e uma população com forte ligação com o campo. Ainda assim, continua dependente da importação de grande parte dos alimentos consumidos pela população e dos recursos transferidos pelo governo federal.
A experiência de outros estados demonstra que essa realidade pode ser modificada. O próprio Acre registrou crescimento de 14,7% no PIB de 2023, o maior resultado do país naquele ano, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária, conforme os dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE divulgados em 2025.
O resultado revela o potencial existente, mas também mostra a necessidade de transformar avanços pontuais em uma política permanente de desenvolvimento. Para isso, o “Produzir para Empregar” prevê atuação integrada do poder público: recuperação e abertura de ramais, construção de pontes, mecanização agrícola, distribuição de calcário, sementes e mudas, assistência técnica, acesso ao crédito e garantia de condições para o armazenamento, o beneficiamento e a comercialização da produção.
Em Rio Branco, o programa já foi colocado em prática. Mais de 2.500 famílias de agricultores foram cadastradas para receber apoio, incluindo mecanização, assistência técnica, calcário, mudas e sementes. A parceria da prefeitura com a Embrapa também permitiu produzir sementes de arroz adaptadas às condições locais, buscando ampliar a produção da agricultura familiar.
Produzir com tecnologia e responsabilidade
A transformação econômica apresentada pela Folha não aconteceu apenas pela ampliação das áreas cultivadas. Ela resulta de décadas de investimento em pesquisa, conhecimento, tecnologia e aumento da produtividade.
Esse é também o caminho proposto para o Acre: produzir mais e melhor nas áreas já destinadas à atividade rural, com recuperação de solos, mecanização adequada, assistência técnica e respeito à legislação ambiental.
O objetivo não é apenas vender matéria-prima, mas agregar valor dentro do estado. Quanto maior for a capacidade de beneficiar, industrializar e comercializar localmente o que é produzido, maior será a quantidade de empregos e de renda que permanecerá no Acre.
A reportagem nacional apresenta, portanto, mais do que números. Ela mostra que o desenvolvimento do interior brasileiro segue uma lógica defendida há décadas por Bocalom: campo forte significa comércio aquecido, cidades mais prósperas, arrecadação maior e novas oportunidades para toda a população.
O que deu certo no Centro-Oeste e começa a transformar estados como Piauí, Maranhão e Tocantins pode também abrir um novo caminho para o Acre. Para isso, a produção precisa deixar de ser apenas uma política setorial e passar a ocupar o centro da estratégia econômica estadual.
É essa a essência do “Produzir para Empregar”: transformar o potencial do Acre em produção, a produção em riqueza e a riqueza em emprego, renda e dignidade para os acreanos.