A criatividade e a sustentabilidade se encontram em um dos espaços mais curiosos da Expoacre 2026. A Barraca dos Sonhos, comandada pelo artesão e professor de arte Enoch Tavares da Silva, de 75 anos, chama a atenção dos visitantes que passam pelo Galpão dos Empreendedores por reunir esculturas produzidas, em sua maioria, com papel reciclado e outros materiais reaproveitados.
Trabalhando com arte desde os 12 anos, Enoque conta que sua inspiração nasceu ainda na infância, quando viveu na zona rural em contato com indígenas, seringueiros, caboclos e caçadores. Foi nesse ambiente que começou a modelar argila e a desenvolver técnicas que, ao longo das décadas, se transformaram em esculturas de madeira, papel machê, concreto e fibra de vidro, sempre retratando personagens, animais e elementos da cultura amazônica.

Peças produzidas com papel reciclado, papel machê e outros materiais reaproveitados chamam a atenção dos visitantes/Foto: ContilNet
“Eu convivi em colônia com índio, seringueiro, caboclo e caçador. Já fazia peças de argila e fui me aprimorando para reproduzir a nossa história da Amazônia”, contou.
Entre as peças expostas estão aves, capivaras, bois e outras figuras criadas artesanalmente. Segundo Enoque, o diferencial do seu trabalho está na originalidade.
“Meu trabalho é criatividade, não é nada cópia. Tudo é original”, destacou o artesão.

Escultura do Mapinguari, personagem do folclore amazônico, integra o acervo apresentado por Enoch Tavares na Expoacre 2026/Foto: ContilNet
Uma das obras que mais desperta a curiosidade do público é um boi em fase de produção, que também funciona como um recipiente para bebidas. A peça recebe acabamento em fibra de vidro e possui um compartimento interno para armazenar cachaça, com uma pequena torneira para servir a bebida.
Outro destaque da exposição é uma escultura da harpia, também conhecida como gavião-real, com quase dois metros e meio de envergadura. O artista explica que a produção de uma obra desse porte leva entre quatro e seis dias, passando por etapas como montagem da estrutura, modelagem e acabamento.
Além das esculturas de grande porte, Enoque produz quadros em papel machê que podem ser concluídos em poucos minutos após a preparação do material, demonstrando a habilidade adquirida ao longo de mais de seis décadas dedicadas à arte.

Escultura de harpia, com quase 2,5 metros de envergadura, está entre os destaques da Barraca dos Sonhos/Foto: ContilNet
O artista também aceita encomendas personalizadas e compartilha a técnica utilizada na produção das peças. Professor de arte, ele faz questão de ensinar o processo de modelagem para estudantes e integrantes da comunidade.
“Eu ensino a técnica. Sou professor de arte e mostro como fazer esse relevo, tudo feito com papel. A gente vai modelando a massa com as mãos”, explicou.
Segundo ele, ensinar sempre fez parte da sua trajetória. Inclusive, durante a montagem do estande na Expoacre, jovens que o ajudaram também aprenderam técnicas de escultura em cimento e madeira.
Enoch também mantém um espaço cultural aberto à visitação no bairro Custódio Freire, em Rio Branco. No local, o público pode conhecer gratuitamente esculturas inspiradas no imaginário amazônico, como Mapinguari, Saci, Cobra-d’Água e outras figuras folclóricas, além de levar crianças para conhecer e fotografar as obras.

Enoch Tavares também ensina técnicas de modelagem e produção de esculturas, unindo arte, educação e sustentabilidade/Foto: ContilNet
Para o artista, participar da Expoacre é uma oportunidade de ampliar o alcance do seu trabalho.
“Antigamente o artista fazia exposição sozinho. Hoje, trazendo para a Expoacre, praticamente o Brasil todo vê, o mundo todo vê através da internet”, afirmou.
Os preços variam conforme o tamanho e a complexidade das obras, tornando o artesanato acessível para diferentes públicos.
“Tem peças de cinco, dez, quinze, vinte reais, até mil reais”, disse.
Com arte, reciclagem e educação caminhando juntas, a Barraca dos Sonhos se tornou um dos espaços mais autênticos da Expoacre, atraindo visitantes que buscam conhecer de perto um trabalho que transforma papel em verdadeiras obras de arte e preserva a cultura amazônica por meio da criatividade.
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