06/09/2026

Tecnologia ‘enxerga’ sob a floresta e revela dimensão de antiga civilização no Acre

Em uma reportagem do O Globo, o portal deu destaque para um estudo publicado na revista Nature

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet
A expedição contará com drones e outros equipamentos dotados da tecnologia LiDAR, de alta precisão/ Foto: Reprodução

Novas descobertas arqueológicas baseadas em alta tecnologia reescreveram parte da história da Amazônia e colocaram o Acre no centro de um debate revolucionário sobre o passado pré-colombiano. 

Em uma reportagem do O Globo, o portal deu destaque para um estudo publicado na revista Nature, liderado pelo pesquisador finlandês Martti Pärssinen com a participação do cientista brasileiro Alceu Ranzi. O estudo revelou que os aquiry, uma antiga civilização do sudoeste da região amazônica, onde hoje é a região do Acre, podem ter alcançado a marca de 3 milhões de habitantes há cerca de dois mil anos.

A civilização destacou-se pela construção monumental de aproximadamente 30 mil grandes estruturas de terra compactada, conhecidas como geoglifos. 

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A revelação sobre a magnitude dos aquiry foi possível graças ao avanço de pesquisas apoiadas pela tecnologia LiDAR, um sistema de radar a laser capaz de “enxergar” através da densa copa das árvores e mapear o relevo com precisão milimétrica. A ferramenta tem permitido aos arqueólogos localizar assentamentos urbanos e estruturas ocultas sob a vegetação de forma rápida e detalhada.

A nova tecnologia consiste no disparo de pulsos de laser, que podem ser enviados por drones ou aviões, durante sobrevoos da região que se deseja estudar.

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O laser permite reconstruir variações de relevo no solo com considerável grau de precisão. Além disso, a tecnologia consegue detectar áreas que foram cobertas com vegetação ao longo do tempo.

Ao ContilNet, após a publicação de outro artigo chamado “Ancient Amazonian Earthwork Roads: Unveiling Ceremonial, Livelihood, and Networking Significances”, é assinado por Risto Kalliola, Martti Pärssinen, Alceu Ranzi e Antonia Damasceno Barbosa, o professor explicou que a pesquisa iniciou há 25 anos.

“Todos os anos, durante esses 25 anos, no mês de junho e julho nós estamos trabalhando. Então, quando a gente produz alguma coisa é o resultado de muito esforço e estamos muito felizes em poder oferecer à comunidade essas respostas do que são os geoglifos, quem construiu, quando construiu, que idade tem, e agora descobrimos que todas essas figuras estão interligadas entre si. Havia comunicação por essas estradas e esse artigo específico é para mostrar que eles não eram figuras isoladas, que eles estavam conectados por estradas”, destacou.

“Existe um mundo de informações e locais que ainda desconhecemos”, admite Antonia. O foco atual dos pesquisadores é entender a funcionalidade de cada caminho. “Muitas estradas levam a igarapés e fontes de água, outras ligam estruturas entre si, e algumas parecem levar a lugar nenhum”, disse.

Nos últimos anos, foram identificados quase 1.300 estruturas, mas com o Lidar, o número real pode ser cerca de 20 mil, de acordo com o estudo.

A estimativa, de arqueólogos brasileiros e finlandeses, aponta que, caso os números estejam corretos, era necessário uma população indígena pré-colonial de 1,25 milhão e 3 milhões de habitantes.

O artigo, chamado “Over 20,000 precolonial earthworks in the Southwest Amazonia” é assinado pelo professor da Universidade Federal do Acre, Alceu Ranzi, por Rhuan Carlos Lopes, da Universidade Federal do Pará, e por Martti Pärssinen, da Universidade de Helsinque.

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