A decisão dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pode ter impactos muito além do combate ao crime organizado. Para especialistas, a medida inaugura uma nova fase na relação entre Washington e a América Latina, marcada pela ampliação do conceito de terrorismo e pelo fortalecimento da agenda de segurança como instrumento de política externa. As informações são do Metrópoles.
Anunciada pelo governo de Donald Trump, a classificação coloca as duas maiores facções criminosas do Brasil no mesmo sistema de sanções utilizado contra grupos considerados ameaças à segurança nacional norte-americana. A partir de junho, PCC e CV passarão a integrar listas que permitem o bloqueio de ativos, restrições financeiras e punições contra pessoas ou empresas que mantenham vínculos com integrantes das organizações.
Na prática, o alcance da medida ultrapassa as fronteiras brasileiras. Segundo autoridades norte-americanas, qualquer indivíduo ou instituição que ofereça apoio material ou realize transações com membros das facções poderá ser alvo de sanções, processos criminais e até restrições migratórias.
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O movimento ocorre em meio a uma mudança mais ampla na estratégia de segurança dos Estados Unidos. A nova doutrina antiterrorismo da Casa Branca passou a tratar organizações criminosas transnacionais, especialmente ligadas ao narcotráfico, como ameaças comparáveis a grupos terroristas internacionais.
Para analistas, a América Latina voltou a ocupar posição central na política de segurança norte-americana. Questões como narcotráfico, migração, crime organizado e influência geopolítica passaram a ser tratadas de forma integrada dentro da estratégia dos EUA para o hemisfério.
A decisão também gerou reações no Brasil. Enquanto aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro comemoraram a medida, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com possíveis efeitos sobre a soberania nacional e defendeu o fortalecimento da cooperação internacional sem a necessidade de classificar facções brasileiras como grupos terroristas.



