Crise na BolĂ­via: mĂ©dicos protestam por falta de remĂ©dios e oxigĂȘnio

Os bloqueios acontecem desde o início de maio e jå atingem mais de 60 pontos em diferentes regiÔes do país

Por Suene Almeida, ContilNet 29/05/2026 Ă s 11:31
Bloqueios na BolĂ­via causam mortes de pacientes e governo estuda medidas | Foto: Reuters

A crise econĂŽmica na BolĂ­via tem provocado impactos cada vez mais graves na saĂșde pĂșblica do paĂ­s. Na Ășltima quinta-feira (28), mĂ©dicos realizaram um protesto pelas ruas do centro de La Paz para denunciar a falta de medicamentos, oxigĂȘnio e atĂ© alimentos nos hospitais bolivianos.

Vestidos com jalecos brancos, os profissionais caminharam acompanhados por ambulùncias com sirenes ligadas enquanto pediam a liberação das estradas bloqueadas por manifestantes. Durante o ato, os médicos carregavam cartazes e gritavam frases cobrando ajuda para os pacientes.

Os bloqueios acontecem desde o início de maio e jå atingem mais de 60 pontos em diferentes regiÔes do país, segundo informaçÔes da Administradora Boliviana de Rodovias. Os protestos são liderados por grupos de trabalhadores, caminhoneiros, professores, mineradores e camponeses que reclamam da situação econÎmica da Bolívia.

Além das críticas à inflação e à falta de produtos båsicos, parte dos manifestantes também pede a saída do presidente Rodrigo Paz, que estå hå cerca de seis meses no cargo.

Nos hospitais, médicos relatam que a situação estå ficando cada vez mais difícil. A médica Mónica Reyes afirmou que os estoques estão perto do fim e que os pacientes estão sofrendo ainda mais por causa da crise.

Profissionais de saĂșde bolivianos cobram entrada de oxigĂȘnio, medicamentos e alimentos em La Paz em meio a crise de desabastecimento | Foto: Javier Mamani

Profissionais de saĂșde bolivianos cobram entrada de oxigĂȘnio, medicamentos e alimentos em La Paz em meio a crise de desabastecimento | Foto: Javier Mamani

“NĂŁo temos materiais suficientes nem para os prĂłximos dias. A comida nos hospitais estĂĄ sendo controlada e muitos produtos jĂĄ acabaram. Os pacientes jĂĄ enfrentam a dor da doença e agora tambĂ©m sofrem com a crise do paĂ­s”, declarou.

A CĂąmara da IndĂșstria FarmacĂȘutica Boliviana informou que cerca de 50 toneladas de medicamentos e cilindros de oxigĂȘnio nĂŁo conseguem chegar aos hospitais por causa das estradas fechadas.

O MinistĂ©rio da SaĂșde boliviano chegou a fazer um apelo pĂșblico pedindo que os manifestantes permitam a passagem de caminhĂ”es com oxigĂȘnio e suprimentos mĂ©dicos para evitar uma situação ainda mais grave nas unidades de saĂșde. De acordo com a Defensoria do Povo, pelo menos quatro pessoas morreram porque nĂŁo conseguiram receber atendimento mĂ©dico a tempo devido aos bloqueios nas rodovias.

O governo acusa grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales de incentivar os protestos e tentar desestabilizar a ordem democråtica. Evo, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, estå foragido em meio a uma investigação por suposto tråfico de uma menor. Em meio à crise, o Congresso boliviano aprovou a retirada de uma regra que limitava a decretação de estado de exceção pelo presidente. Com isso, o governo passa a ter mais facilidade para usar medidas mais rígidas para conter os protestos e liberar as estradas.

ConteĂșdo Original / Fonte: Suene Almeida, ContilNet

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