Estudo aponta Juruá como território estratégico para o desenvolvimento do Acre
Estudo do Fórum Empresarial identifica seis cadeias estratégicas com potencial para gerar valor, ampliar mercados e integrar os cinco municípios da região.
Com uma economia marcada pela produção agropecuária, pela bioeconomia e pelo turismo, o Juruá reúne atividades com capacidade de impulsionar o desenvolvimento regional. Essa é uma das conclusões do novo boletim do Mapa de Potencialidades do Acre, iniciativa do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre, com o apoio do Sebrae/AC.
Entre os setores identificados como estratégicos estão café, mandioca e farinha, açaí, leite, cacau e turismo. As seis cadeias apresentam oportunidades de crescimento e geração de valor nos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.
Para chegar a esse diagnóstico, foram realizadas entrevistas com produtores, cooperativas, gestores e especialistas, além de visitas técnicas, análise institucional e levantamento de dados públicos. A pesquisa que fundamenta a série de boletins percorreu 13 municípios do Acre e reuniu 40 entrevistas.
A partir desse levantamento, o estudo busca contribuir para uma visão mais estratégica das vocações econômicas do estado, identificando oportunidades de fortalecimento das cadeias produtivas, ampliação de mercados e integração regional.
Cadeias produtivas
A mandioca se destaca pela escala de produção. Em 2024, os cinco municípios somaram 200.926 toneladas, com destaque para Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. A região também conta com a Farinha de Cruzeiro do Sul, reconhecida por Indicação Geográfica, abrindo oportunidades para ampliar a produção de derivados e agregar valor à cadeia.
A cafeicultura também avança, especialmente em Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. Em 2024, Mâncio Lima produziu 341 toneladas, Cruzeiro do Sul 113 toneladas e Porto Walter 30 toneladas. O estudo aponta oportunidades relacionadas à melhoria da qualidade, beneficiamento e acesso a novos mercados.
No açaí, foram registradas 1.082 toneladas em 2024. Já a cadeia do leite alcançou 1,191 milhão de litros nos cinco municípios. Para ambas, o levantamento destaca a necessidade de ampliar processamento, conservação, comercialização e agregação de valor.
O cacau surge como uma nova frente de bioeconomia, com iniciativas de cultivo e organização da cadeia em Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. O estudo aponta potencial de crescimento, desde que acompanhado pelo fortalecimento de técnicas de manejo, fermentação e secagem.
Turismo como vetor de desenvolvimento
O potencial do Juruá também está ligado ao turismo de natureza, cultura e gastronomia. Atrativos como o Rio Crôa e o Parque Nacional da Serra do Divisor podem contribuir para ampliar a geração de renda e integrar os municípios por meio de roteiros turísticos.
Segundo o estudo, o desafio está em transformar os atrativos existentes em produtos turísticos estruturados, com serviços, logística, comercialização e integração entre os municípios.
Integração regional
O levantamento aponta Cruzeiro do Sul como polo estratégico para serviços, comércio, beneficiamento, capacitação e conexão com mercados, fortalecendo a economia dos municípios do entorno.
Para o Fórum Empresarial, transformar potencial em resultado depende da integração entre produção, beneficiamento, comercialização, turismo e instituições. A proposta é avançar na construção de projetos com metas, responsabilidades e acompanhamento de resultados.
O diagnóstico mostra que o Juruá possui diversidade produtiva, ativos territoriais e oportunidades de mercado. Integrar essas cadeias e agregar valor ao que já é produzido na região pode ampliar a geração de renda e fortalecer o desenvolvimento econômico regional.
Confira o estudo completo: https://drive.google.com/file/d/1L9Ig3QMbIYpzSEzMnyT5pMx1_aL_Q3Um/view?usp=drive_link