Fechar o posto é fácil; difícil será explicar para quem precisa dele
Uma decisão da atual administração da Prefeitura de Sena Madureira voltou a provocar críticas e reacendeu uma discussão que interessa diretamente a quem precisa de atendimento médico fora do horário comercial: o fechamento da única unidade de saúde do município que funcionava durante a noite.
A situação foi denunciada publicamente pelo ex-secretário municipal de Saúde, Daniel Herculano, que publicou um vídeo nas redes sociais questionando a decisão. Segundo ele, a unidade Carlos Afonso, que fica situada no centro de Sena Madureira, oferecia atendimento médico e odontológico e cumpria uma função importante justamente para aqueles moradores que trabalham durante o dia e não conseguem procurar uma unidade básica de saúde no horário convencional.
O problema, segundo Herculano, é que essas pessoas agora terão como alternativa procurar o Hospital João Câncio Fernandes, que já concentra uma grande demanda de pacientes e deveria estar preparado, sobretudo, para atender casos de urgência e emergência.
Na prática, uma pessoa que trabalha o dia inteiro e chega em casa à noite com um problema de saúde poderá ter que recorrer ao hospital para tentar conseguir atendimento.
A situação se torna ainda mais delicada no caso de problemas odontológicos: quem tiver uma dor de dente ou outra necessidade de atendimento odontológico durante a noite poderá não encontrar mais uma porta de atendimento e terá que esperar até o dia seguinte.
A discussão, portanto, vai muito além do simples fechamento de uma unidade. Trata-se de saber se a população está tendo o atendimento adequado às suas necessidades e se o município está oferecendo alternativas para quem não consegue procurar uma UBS durante o dia.
Nas redes sociais, internautas que acompanharam a manifestação de Daniel Herculano demonstraram indignação com a situação e fizeram críticas duras à administração do prefeito Gherlen Diniz.
“Triste realidade a nossa, os senamadureirenses. A cada dia que passa, tudo fica mais precário”, escreveu Juscineia Dias.
A reclamação traduz uma sensação que precisa ser levada a sério. Saúde pública não pode ser pensada apenas para quem tem disponibilidade de procurar atendimento durante o expediente. Trabalhadores, comerciantes, servidores, profissionais autônomos e tantas outras pessoas também adoecem depois que as portas das unidades fecham.
Se o posto noturno foi encerrado, a população precisa saber qual foi a justificativa, qual será a alternativa oferecida e, principalmente, como ficará o atendimento daqueles que dependiam daquela unidade.
Também é preciso evitar que o Hospital João Câncio Fernandes seja transformado na única saída para problemas que poderiam ser resolvidos na atenção básica. Um hospital que já recebe uma grande quantidade de pacientes não deveria ser sobrecarregado por uma demanda que poderia contar com uma porta de atendimento própria no período noturno.
A pergunta que fica para a administração municipal é simples: quem trabalha durante o dia e precisa de atendimento à noite deve procurar onde?
Em saúde pública, fechar uma porta sem apresentar outra pode significar deixar muita gente sem saída.
Veja o vídeo: