Décadas depois de terem sido separados dos pais por causa da hanseníase, mais de 100 filhos e filhas de ex-internados participaram de um encontro marcado por emoção, reencontros e relatos de uma dor que atravessou gerações. O evento foi realizado nesta quarta-feira (3), em Rio Branco, e reuniu pessoas que ainda carregam as marcas da política de isolamento compulsório adotada pelo Brasil até os anos 1980.
Os participantes relembraram o período em que milhares de famílias foram separadas pelo preconceito e pelas medidas adotadas contra a doença. Muitos cresceram longe dos pais, em abrigos, educandários ou sob os cuidados de outras famílias, enquanto seus parentes permaneciam isolados em colônias.
A atividade teve a participação do governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), além de representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e integrantes do governo federal.

Familiares de pessoas vítimas pela hanseníase se reúnem para buscar direitos. Foto: Deyse Cruz-Noronha/SEASDH
Além de proporcionar um momento de escuta e acolhimento, o encontro também serviu para orientar os participantes sobre os processos de reconhecimento e indenização destinados às vítimas dessa política.
“Estamos em articulação com órgãos nacionais para assegurar que essas pessoas tenham acesso aos seus direitos, incluindo possíveis reparações. A certificação servirá como comprovação das violações de direitos sofridas ao longo de suas vidas, fortalecendo a luta pelo reconhecimento e pela reparação dessas injustiças”, declarou a diretora de Direitos Humanos da SEASDH e presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania (CEDHC), Joelma Pontes.
No Acre, cerca de mil pessoas ainda aguardam a análise dos pedidos de reparação por terem sido submetidas ao isolamento compulsório. Outras 500 buscam o reconhecimento por terem vivido em isolamento nos seringais ou dentro das próprias casas.
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A expectativa é que os processos avancem mais rapidamente nos próximos meses. Atualmente, cerca de 120 pedidos são analisados por mês, mas a meta do governo federal é ampliar esse número para até 600 análises mensais, reduzindo a espera de pessoas que há décadas lutam pelo reconhecimento de uma injustiça que marcou suas vidas.
