Instituto São José instala detector de metais 3 meses após ataque
O Instituto São José, em Rio Branco, iniciou o novo semestre letivo com mudanças na rotina de entrada dos estudantes. A escola passou a utilizar portões eletrônicos com detectores de metais como parte das medidas adotadas para aumentar a segurança no ambiente escolar.
A novidade foi comunicada aos pais e responsáveis por meio de um aviso divulgado na segunda-feira (10). No material, a instituição destaca que a iniciativa busca garantir mais tranquilidade para toda a comunidade escolar.
Por causa dos detectores, o Instituto São José orienta que os alunos não levem objetos metálicos desnecessários nas mochilas. Entre os itens citados estão bottons, chaveiros, tesouras e materiais que tenham adornos de metal e possam fazer o alarme disparar.
O comunicado foi publicado nas redes sociais da escola | Foto: Reprodução
A recomendação é que os estudantes carreguem somente os materiais necessários para as atividades escolares. O comunicado cita como exemplos lápis, caneta, caderno, borracha e cola.
Pais devem conferir as mochilas
A instituição também pediu que os pais e responsáveis façam uma checagem das mochilas antes de os alunos irem para a escola.
Segundo o aviso, a presença de muitos objetos pode dificultar a passagem pelo detector e provocar filas na entrada. “Mais segurança, mais cuidado, mais tranquilidade para todos!” é outra das mensagens destacadas pela escola.
O Instituto São José afirma ainda que a medida foi adotada pensando no “bem-estar e organização para toda a comunidade educativa”.
Mudança ocorre após ataque
O reforço na segurança acontece pouco mais de três meses depois do ataque a tiros registrado dentro da instituição. O episódio deixou duas funcionárias mortas e outras duas pessoas feridas.
Na ocasião, um estudante de 13 anos entrou armado na escola e efetuou disparos contra quatro pessoas. Entre os atingidos estavam três funcionárias e uma aluna de 11 anos. Duas servidoras morreram.
Atentado ocorrido em 5 de maio causou a morte de Alzenir Silva e Raquel Feitosa — Foto: Reprodução
Depois dos disparos, o adolescente foi até o Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Acre (PMAC), localizado nas proximidades da escola, e se entregou.
A arma usada no ataque, conforme informado pelas autoridades, pertencia ao padrasto do adolescente. O homem chegou a ser preso e levado à Delegacia de Flagrantes (Defla), mas foi liberado posteriormente após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Estado criou indenização para familiares
Em julho, também foi sancionada uma lei criando uma indenização especial para os dependentes das vítimas fatais do ataque.
A Lei nº 4.816 prevê o pagamento de R$ 100 mil por vítima, em parcela única. O benefício pode ser destinado ao cônjuge ou companheiro, filhos menores de 21 anos ou pessoas com invalidez, deficiência ou incapacidade. Na ausência desses dependentes, os pais economicamente dependentes podem ter direito ao valor.
Caso existam vários beneficiários habilitados, a quantia será dividida igualmente.
O pagamento está previsto para ocorrer até 31 de janeiro de 2027, mas poderá ser antecipado para este ano se houver disponibilidade orçamentária e os dependentes estiverem devidamente habilitados.
As vítimas
Zena e Raquel morreram no local do ataque | Foto: Reprodução
As inspetoras de corredor Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37 anos, morreram ainda no local.
Uma aluna de 11 anos e uma outra funcionária ficaram feridas e foram encaminhadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Pronto-Socorro de Rio Branco.
Alzenir Pereira da Silva trabalhava há décadas no Instituto São José e Raquel era funcionária da escola há cerca de 3 anos.
As duas funcionárias foram veladas na quarta-feira e sepultadas no mesmo dia: Tia ‘Zena’, como Alzenir era conhecida, foi velada na residência da mãe, no bairro Cidade Nova, e sepultada no Cemitério São João Batista. Já Raquel Sales foi velada na Capela São João Batista e sepultada no Cemitério Morada da Paz.