07/09/2026

Justiça suspende ação penal sobre morte de professor encontrado em cova rasa

A decisão foi tomada pela juíza Joelma Ribeiro Nogueira no dia 1º de setembro

Por Redação ContilNet
Dois são acusados pelo assassinato/Foto: Reprodução

A Justiça do Acre suspendeu a ação penal que apura o assassinato do professor de dança Reginaldo Silva Corrêa, conhecido como Reggis, encontrado morto dentro de uma cova rasa em outubro de 2025, em Epitaciolândia, no interior do estado. A decisão foi tomada pela juíza Joelma Ribeiro Nogueira no dia 1º de setembro.

As informações foram divulgadas pelo G1 Acre.

De acordo com o processo, a suspensão está relacionada ao indeferimento de um incidente de insanidade mental apresentado pela defesa de Marijane Maffi, uma das três pessoas que respondem pelo crime. O procedimento é utilizado quando há dúvida razoável sobre a saúde mental de um investigado ou acusado e pode envolver a realização de perícia médica.

ENTENDA O CASO: Caso Regis: o que se sabe até agora sobre assassinato de professor na fronteira do Acre

A magistrada determinou a pausa na tramitação da ação principal até que a decisão que negou o incidente de insanidade mental transite em julgado, ou seja, até que não haja mais possibilidade de recurso sobre esse pedido.

A suspensão não impede, entretanto, a realização de eventuais diligências consideradas urgentes.

Audiência ainda não tem nova data

Após a Justiça do Acre receber a denúncia contra os acusados, em abril deste ano, chegou a ser marcada uma audiência de instrução do processo. A sessão, porém, acabou cancelada e ainda não foi definida uma nova data.

Com a suspensão determinada pela Justiça, o andamento da ação penal permanece paralisado enquanto o caso relacionado ao incidente de insanidade mental não for encerrado.

Segundo a decisão, depois do trânsito em julgado, a Justiça deverá analisar se as acusações contra os demais réus continuarão sendo processadas juntas ou se haverá necessidade de desmembramento do processo.

Três pessoas respondem pelo crime

A Justiça do Acre tornou réus, em abril, Victor Oliveira da Silva, Marijane Maffi e Limbson Santiago Pereira.

Marijane confessou ter levado o carro de Reggis para Cobija, na Bolívia, após o crime. Ela chegou a ser presa, mas posteriormente foi colocada em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.

A Justiça também autorizou que Marijane fosse internada em uma clínica de reabilitação em Porto Velho, Rondônia. A autorização para a internação foi mantida em abril deste ano.

Victor Oliveira da Silva permanece preso, enquanto Limbson Santiago Pereira responde ao processo em liberdade.

Sobre o caso

Régis havia saído para uma entrega no dia 25 de setembro e não foi mais localizado. A família registrou o desaparecimento quatro dias depois, quando perdeu contato com ele. Antes da localização do corpo, o carro do professor foi encontrado em 30 de setembro, abandonado em um ramal próximo à Villa Rosário, na Bolívia, com apenas a chave no interior. As autoridades confirmaram que o corpo encontrado naquele país não era o do professor, mas que o veículo estava relacionado ao crime.

Segundo informações da Polícia Civil do Alto Acre, coordenada pelo delegado Érick Maciel, o homicídio foi cometido por asfixia mecânica, provocada por um golpe conhecido como “mata-leão”. O principal suspeito, Victor Oliveira da Silva, 27 anos, vulgo “Coringa”, confessou o crime e indicou o local onde estava o corpo. Em depoimento, Victor relatou que mantinha um relacionamento amoroso com Régis e que a motivação do assassinato teria sido o término dessa relação.

Veja mais: Professor Régis foi morto por asfixia mecânica após golpe de “mata-leão”, aponta investigação

O suspeito afirmou que chamou Régis para sua casa na noite de 29 de setembro, com a intenção de reatar o relacionamento, mas após uma discussão aplicou o golpe que deixou o professor desacordado. Victor contou acreditar, inicialmente, que a vítima havia desmaiado, mas percebeu posteriormente que ele estava morto. Ele também relatou que permaneceu dormindo ao lado do corpo durante a noite seguinte.

Para ocultar vestígios, Victor contou com a ajuda de Marijane Maffi, de 46 anos, vizinha do suspeito, que teria transportado o carro de Régis para a Bolívia. Ele afirmou que ofereceu pagamento à mulher, mas ela concordou em ajudar sem exigir remuneração. Ainda segundo o depoimento, Victor retornou à casa dela na manhã seguinte para pegar ferramentas utilizadas para abrir a cova onde enterrou o corpo.

Conteúdo Original / Fonte: G1

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