Moisés Diniz compra briga e quer retirar funerárias da frente do João Câncio
Quem chega ao Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira, encontra de um lado a porta de uma unidade de saúde e, do outro, três funerárias. A cena, que há décadas faz parte da paisagem do município, agora entrou na mira do ex-deputado Moisés Diniz.
Em um vídeo gravado no local, Diniz classificou a situação como inadequada e afirmou que pretende buscar uma solução para retirar as funerárias da frente do hospital.
“Essas funerárias têm que desaparecer daqui da frente do hospital”, declarou.
Ele chamou atenção para o impacto que a presença dos estabelecimentos pode provocar em pacientes e familiares que chegam ao hospital em momentos de fragilidade.
Segundo ele, o ambiente de uma unidade de saúde deveria oferecer acolhimento, esperança e fé a quem enfrenta uma doença ou acompanha um familiar internado.
“O hospital é um lugar que a gente chega fragilizado, que a gente chega desesperado”, afirmou.
Na avaliação do ex-deputado, encontrar imediatamente à frente da unidade estabelecimentos ligados aos serviços funerários produz justamente a sensação contrária àquela que deveria prevalecer no momento em que uma pessoa procura atendimento médico.
“O povo que entra para receber tratamento no Hospital de Sena Madureira não merece ver essa imagem do outro lado da rua”, disse.
Funerárias estão lá há décadas
A discussão, entretanto, está longe de ser nova. As funerárias estão naquele trecho há décadas e se tornaram parte da própria paisagem urbana de Sena Madureira. A novidade é que, agora, um parlamentar decidiu transformar o incômodo em uma questão política e anunciou que pretende buscar providências.
Moisés Diniz afirmou que ainda vai avaliar qual caminho será adotado. Segundo ele, poderá haver uma articulação política ou até mesmo uma provocação ao Ministério Público.
“Vamos avaliar, mas nós vamos tomar e fazer uma ação em relação a isso”, afirmou.
O ex-deputado também fez questão de dizer que não tem interesse em saber quem são os proprietários das funerárias. Para ele, a discussão não é pessoal, mas relacionada ao ambiente no entorno do hospital.
De quem é a responsabilidade?
A declaração, porém, abre uma discussão maior do que a simples retirada das funerárias.
Se a localização dos estabelecimentos é inadequada, por que eles permanecem ali há tantos anos?
Essa é uma pergunta que não pode ser dirigida apenas aos empresários. Envolve também o poder público, o planejamento urbano, as regras de ocupação da cidade e a fiscalização dos estabelecimentos.
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As funerárias prestam um serviço essencial e, até que se demonstre eventual irregularidade, não podem ser tratadas como responsáveis por um problema de planejamento urbano que atravessou diferentes administrações municipais.
Se existe impedimento legal para a permanência delas no local, cabe aos órgãos competentes agir. Se não existe, qualquer mudança terá de respeitar a legislação e os direitos de quem trabalha no setor. Afinal, esses comerciantes, que não são diferentes dos outros, estão lá há décadas sem nunca terem sido questionados.
O vídeo de Moisés Diniz, portanto, coloca novamente sob os holofotes uma paisagem que Sena Madureira aprendeu a enxergar sem mais questionar: um hospital cercado por estabelecimentos associados à morte.
Agora, resta saber se a indignação ficará apenas nas redes sociais ou se finalmente haverá uma discussão concreta sobre o futuro daquele espaço.
Depois de décadas convivendo com o mesmo cenário, Sena Madureira poderá descobrir que o problema não era apenas a existência das funerárias diante do hospital.
Talvez o verdadeiro problema seja ninguém ter encontrado, até agora, uma solução.
VÍDEO: