Motociclista passa entre carros parados e quase atropela três crianças
Na manhã desta quinta-feira, dia 3, três crianças atravessavam uma faixa de pedestres que dá acesso à Uninorte quando, por muito pouco, não foram atropeladas por um motociclista.
O detalhe mais revoltante é que os carros haviam parado para permitir a travessia. Os motoristas fizeram aquilo que determina a lei e, principalmente, aquilo que manda o bom senso: respeitaram a vida.
Mas o motociclista não.
Ele simplesmente invadiu o espaço destinado aos pedestres e passou raspando nas crianças. Por poucos centímetros, uma cena de rotina poderia ter se transformado em uma tragédia.
E é justamente aí que está o problema.
A imprudência no trânsito deixou de ser apenas uma questão de desrespeito às regras. Em muitos casos, tornou-se uma ameaça concreta à vida.
É preciso dizer, sem rodeios: motociclista não tem direito de furar a fila, ultrapassar veículos parados em uma faixa de pedestres ou disputar espaço com quem está atravessando a rua.
A pressa de alguns segundos pode custar uma vida inteira.
E aquela faixa merece uma atenção especial das autoridades. Todos os dias, centenas de alunos atravessam o local para chegar à Uninorte e ao Colégio Anglo, uma das instituições de ensino mais tradicionais do Acre. São crianças, adolescentes, universitários, professores, funcionários e famílias circulando diariamente por uma área que deveria receber fiscalização permanente.
Não basta esperar que aconteça um atropelamento grave para depois tomar providências.
É preciso agir antes.
Uma das medidas mais importantes seria a instalação de câmeras de segurança e fiscalização nos pontos de maior movimento, especialmente nas faixas próximas às escolas, universidades e demais instituições que concentram grande circulação de pessoas.
Quem cometer uma infração precisa ser identificado e punido.
Não se trata de perseguir motociclistas. Trata-se de responsabilizar quem dirige ou pilota de maneira irresponsável.
A maioria dos motociclistas é formada por trabalhadores que respeitam as leis e sabem que estão igualmente vulneráveis no trânsito. Mas aqueles que transformam a motocicleta em instrumento de imprudência precisam entender que uma ultrapassagem indevida pode produzir consequências irreversíveis.
E não são apenas os motociclistas.
Motoristas de carros também avançam sinais, ignoram faixas, não respeitam limites de velocidade e, muitas vezes, tratam o pedestre como se ele estivesse atrapalhando o trânsito.
Não está.
O pedestre tem prioridade na faixa. A lei existe justamente para proteger quem está mais vulnerável.
Precisamos parar de naturalizar essas cenas.
Não podemos achar normal uma criança atravessar uma rua e uma motocicleta passar a centímetros de seu corpo.
Não podemos aceitar que famílias saiam de casa sem saber se seus filhos voltarão porque alguém decidiu que não poderia esperar alguns segundos.
E não podemos continuar perdendo pessoas para a combinação perigosa de pressa, irresponsabilidade e impunidade.
A cena desta quinta-feira deveria servir como um alerta.
Três crianças tiveram sorte. O motociclista teve sorte. Os motoristas que estavam parados tiveram sorte. Mas não podemos depender da sorte para preservar vidas.
A próxima pessoa pode não ter a mesma sorte.
As autoridades precisam fiscalizar. Os infratores precisam ser punidos. E a sociedade precisa recuperar uma coisa que deveria ser básica no trânsito: respeito pela vida do outro.
Porque chegar alguns segundos mais cedo nunca será mais importante do que permitir que uma criança atravesse a rua em segurança.
A faixa de pedestres não é apenas uma pintura no asfalto. É um compromisso com a vida.