05/09/2026

MP abre inquérito sobre riscos de deslizamento em bairro de Rio Branco

Moradores denunciaram instabilidade do solo em quatro ruas do Universitário II

Por Anne Nascimento, ContilNetAtualizado
Sede do MPAC — Foto: Reprodução

O Ministério Público do Acre (MPAC) instaurou, nesta terça-feira (4),  um inquérito civil para investigar denúncias de deslizamento de terra e risco estrutural em residências localizadas no Conjunto Universitário II, em Rio Branco. A apuração busca esclarecer a situação de imóveis situados ao final das ruas 02 de Maio, Pastor Jeremias, Caixa d’Água e Edson Luiz Firmino, onde moradores relataram temor de que a instabilidade do terreno possa provocar o desabamento de casas.

A investigação foi aberta pela 1ª Promotoria de Justiça Especializada de Habitação e Urbanismo e Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural, por meio de portaria assinada pelo promotor de Justiça Walter Teixeira Filho.

De acordo com o documento, o procedimento teve início após o MP tomar conhecimento, por meio de relatos feitos ao Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC), de que há “deslizamento de terras e risco estrutural das residências instaladas ao final das ruas 02 de Maio, Pastor Jeremias, Caixa d’Água e Edson Luiz Firmino, do Conjunto Universitário II”.

Na portaria, o promotor ressalta que a Constituição Federal estabelece que a política de desenvolvimento urbano deve garantir “o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade”, assegurando direitos como habitação, circulação, lazer, meio ambiente e trabalho.

O documento também destaca que a proteção à vida impõe ao poder público o dever de agir diante de situações de risco. Segundo o MP, a Lei de Proteção e Defesa Civil determina que União, estados e municípios adotem “as medidas necessárias à redução dos riscos de acidentes ou desastres”, acrescentando que “a incerteza quanto ao risco não pode impedir a adoção de providências preventivas e mitigadoras”.

A portaria ainda lembra que cabe aos municípios “identificar e mapear áreas de risco”, promover vistorias, realizar intervenções preventivas e, quando necessário, “evacuar a população de áreas de alto risco ou de edificações vulneráveis”.

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Para dar sequência à apuração, o Ministério Público determinou o aguardo da resposta ao Ofício nº 0309/2026/PHABURBAN, encaminhado aos órgãos competentes. Conforme o promotor, “caso não sobrevenha resposta em tempo hábil, proceda à análise de propositura de Ação Civil Pública em virtude da natureza do procedimento”.

O objetivo do inquérito é reunir documentos e informações técnicas que permitam avaliar a dimensão do problema, verificar se há risco efetivo aos moradores e identificar quais medidas já foram adotadas ou ainda precisam ser executadas para garantir a segurança da população.

O procedimento terá prazo inicial de 90 dias para conclusão, podendo resultar em novas diligências ou em medidas judiciais, caso o Ministério Público entenda que há omissão do poder público diante da situação denunciada.

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