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Mulher que matou irmão a facadas é absolvida e tem internação decretada

Por Suene Almeida, ContilNet 04/08/2026 07:21
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A Justiça do Acre decidiu que Camila Arruda Braz, acusada de matar o irmão Ramon Arruda Braz em junho de 2025, deverá passar por tratamento em uma unidade psiquiátrica especializada, em vez de responder ao processo criminal como uma pessoa imputável. A medida de segurança terá duração mínima de três anos.

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A decisão foi tomada pelo juiz Fábio Farias, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, divulgada pelo jornal Café com Notícia, aponta que a acusada sofria de um transtorno mental que a impedia de entender a gravidade de seus atos quando o crime aconteceu. Com isso, ela foi absolvida sumariamente, sem que o caso precisasse ser julgado por um júri popular.

O entendimento da Justiça teve como principal base um exame de insanidade mental, que apontou que Camila é diagnosticada com transtorno esquizoafetivo. O laudo informou que, no momento do crime, ela não tinha capacidade de compreender que sua atitude era ilegal nem de agir conforme esse entendimento. Além da perícia, o processo reúne informações sobre o histórico de tratamento psiquiátrico da acusada, incluindo internações anteriores e a interrupção do uso dos medicamentos. Testemunhas também relataram episódios de delírios e outras alterações de comportamento antes do homicídio.

Durante o andamento da ação, Ministério Público do Acre (MPAC) e Defensoria Pública concordaram que Camila não poderia ser responsabilizada criminalmente por causa de sua condição de saúde mental. No entanto, as instituições apresentaram pedidos diferentes sobre o tratamento. O MP defendeu a internação em uma unidade especializada, enquanto a Defensoria solicitou acompanhamento ambulatorial pela rede pública de saúde.

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Ao decidir o caso, o magistrado acolheu o pedido de internação. Ele também determinou que a medida não poderá ser cumprida em presídios, alas psiquiátricas de unidades prisionais ou instituições de longa permanência. Embora a prisão preventiva tenha sido revogada, Camila permanecerá sob custódia do Estado até ser encaminhada para um estabelecimento de saúde adequado. A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e o Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac) terão até 30 dias para providenciar a vaga.

Enquanto a transferência não ocorre, ela deverá continuar recebendo atendimento em saúde mental e ter garantido o acesso aos medicamentos prescritos.

O caso

Ramón Arruda Brás, de 41 anos, foi morto com várias facadas no tórax durante uma discussão com sua irmã, identificada como Kamila Arruda Brás, nas proximidades da Policlínica do Tucumã, localizada na Avenida Noroeste, no bairro Tucumã, em Rio Branco.

Segundo informações da polícia, Ramón e Kamila estavam dentro do quarto de uma residência quando iniciaram um desentendimento. Com os ânimos exaltados, Kamila se apossou de uma faca tipo “peixeira” e desferiu vários golpes no abdômen e no peito de Ramón, que morreu antes de receber atendimento médico. Após a agressão, Kamila fugiu do local levando sua filha, de aproximadamente 5 anos.

Vizinhos que ouviram os pedidos de socorro acionaram rapidamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que enviou uma ambulância de suporte avançado. No entanto, os socorristas apenas puderam constatar o óbito no local.

Policiais do 1º Batalhão isolaram a área para o trabalho da perícia técnica. Em seguida, realizaram buscas na região e conseguiram prender Kamila ainda em via pública, nas proximidades da residência.

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