Naluh diz que shows milionários podem esconder “lavagem de dinheiro”
A conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) Naluh Gouveia fez duras críticas à contratação de shows milionários pelo poder público e afirmou que parte desses eventos realizados no Brasil estaria sendo utilizada, segundo ela, em esquemas de lavagem de dinheiro.
A declaração foi dada durante entrevista ao Em Cena, podcast do ContilNet, na segunda-feira (14), ao comentar os altos valores destinados à contratação de artistas e a fiscalização exercida pelos Tribunais de Contas e Ministérios Públicos.
“Hoje tem parte desses shows que são literalmente lavagem de dinheiro no Brasil. O Ministério Público Estadual, os Ministérios Públicos Estaduais e os Tribunais de Contas, eles estão muito atentos a essa situação”, afirmou.
Naluh citou ainda a existência de mecanismos de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet e legislações estaduais, e disse que os órgãos de controle precisam observar a forma como os recursos destinados a grandes apresentações são utilizados.
“Mas o que tá acontecendo é que vêm esses artistas e a gente vê que partes são negociadas com setores do governo, e isso não é certo, não é certo mesmo”, declarou.
Em outro momento, a conselheira fez uma acusação ainda mais contundente, ao afirmar que recursos movimentados nesse tipo de contratação poderiam acabar relacionados ao financiamento político.
“O que tá acontecendo é que são verdadeiras lavagens de dinheiro para se guardar dinheiro principalmente para a política, é isso que tá acontecendo”, disse.
Naluh também questionou as prioridades dos governos ao destinarem cifras milionárias a artistas enquanto, segundo ela, comunidades ainda enfrentam problemas básicos de infraestrutura.
“Acho que as prioridades elas estão invertidas. Nós temos hoje escolas que as crianças estão tomando água de cacimba — não é poço artesiano, é de cacimba. Nós temos um problema grave aqui no estado de questão de diarreia pela qualidade da água”, afirmou.
Para a conselheira, gastos superiores a R$ 1 milhão com uma única apresentação precisam ser analisados diante de outras demandas da população.
“Então eu penso que temos outras prioridades do que pagar 1 milhão e pouco para uma pessoa que vem de fora para cantar duas, três horas e ir embora simplesmente com 1 milhão e pouco”, completou.
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