Naluh rebate versão de que ida ao TCE foi “cala-boca” de Jorge Viana: “Preconceito grande”
A conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) Naluh Gouveia rebateu, durante entrevista ao Em Cena, podcast do ContilNet, nesta segunda-feira (14), a versão de que sua chegada à Corte de Contas teria ocorrido como uma espécie de “cala-boca” articulado pelo ex-governador Jorge Viana.
Ao recordar o processo que a levou ao Tribunal, Naluh afirmou que não foi indicada pelo então governador e destacou que sua escolha passou pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), onde recebeu votos inclusive de parlamentares com quem mantinha divergências políticas.
“Eu acho que o povo… quando eu falo do povo é uma parte do povo, acho que ele é muito ruim no sentido quando eles falam esse tipo de coisa. Eles dizem que o Jorge me deu esse cargo. O Jorge nem governador era, o Jorge… quem era governador era o Binho. Eu não fui indicada por governador, eu fui indicada pela Assembleia Legislativa, vários partidos de pessoas, de deputados de oposição que eu tinha assim uma briga constante com eles, e votaram em mim”, declarou.
Naluh foi além e disse enxergar preconceito na ideia de que uma mulher com sua trajetória não poderia chegar ao posto de conselheira do Tribunal de Contas.
“Então é assim uma falta de conhecimento no sentido de dizer que eu fui a pedido do Jorge, que o Jorge me deu esse cargo. Eu acho isso assim uma coisa muito ruim, porque na verdade é como se aquela Naluh sindicalista não pertence a esse meio, ela não poderia alçar voo para ser uma conselheira do Tribunal de Contas”, afirmou.
Ao falar da própria história, a conselheira mencionou ter vindo da periferia e relembrou episódios de violência sofridos ao longo da vida.
“Porque este cargo para uma mulher que veio da periferia, que veio da luta, que foi estuprada, que foi abusada, isso não lhe pertence. Isso é de um preconceito tão grande, de uma falta de informação tão grande, é de achar que as pessoas pobres não devem chegar aos lugares”, completou.
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