“Não vou me calar”: candidata solta nota sobre resultado do Rainha do Rodeio

Candidata revelou que teve estrutura barrada dois dias antes da final e questionou avaliação de itens tradicionais

Por Fhagner Soares, ContilNet 27/07/2026 às 05:27
Maiane Sobrinho afirmou em manifesto que indignação não é por derrota, mas por falta de coerência nas notas/ Foto: Samuel Moura

Um dia após recusar a faixa de Princesa do Laço no palco do Palácio Rio Branco, a candidata Maiane Sobrinho publicou uma dura nota de repúdio na noite deste domingo (26). No manifesto, a participante do concurso Rainha do Rodeio da Expoacre 2026 voltou a classificar o resultado como injusto, cobrou transparência da organização e afirmou que não aceitará “que a verdade seja tratada como inconveniente”.

A manifestação ocorre após a confusão registrada na noite de sábado (25), quando Maiane rejeitou o título logo após o anúncio da pontuação, declarou no microfone que o concurso havia sido “roubado” e deixou o local sob protestos de familiares e torcedores.

Na nota divulgada em suas redes sociais, Maiane afirmou que optou por aguardar antes de se pronunciar publicamente, mas decidiu que não poderia se calar diante do que presenciou.

“Esperei. Observei. Silenciei quando muitos esperavam uma reação imediata. Mas chega um momento em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser conivência com aquilo que não pode ser normalizado”, escreveu a candidata.

Ela rebateu as críticas de que a recusa da faixa seria falta de postura e garantiu que o questionamento é técnico. “Questionar não é não saber perder. Exigir coerência não é desrespeitar um resultado. A indignação nunca foi pela posição ocupada, mas pelos questionamentos que surgiram diante da forma como tudo foi conduzido”, pontuou.

Um dos pontos centrais do desabafo foi a desvalorização, segundo ela, de elementos tradicionais da cultura sertaneja na fase final do julgamento. Maiane questionou como itens como o uso do berrante e da moxinga — exigidos nas seletivas — pareceram perder peso na avaliação decisiva dos jurados.

A candidata revelou ainda que enfrentou problemas estruturais a 48 horas da decisão:

“Apenas dois dias antes da apresentação, toda a estrutura que havia sido planejada foi barrada. Em vez de desistir, respirei fundo e reconstruí absolutamente tudo do zero em tempo recorde”, revelou.

Diante do protesto e da renúncia no palco, a organização do concurso aplicou o regulamento e repassou o título de Princesa do Laço para a quarta colocada na classificação geral, Maysa Valadão, que aceitou o posto.

A corte oficial da feira ficou composta pela Rainha do Rodeio, pela Princesa do Laço Maysa Valadão e pela Madrinha dos Peões Josefa Inácio. A organização da Expoacre ainda

Nota na Íntegra: 

Eu, Maiane Sobrinho, esperei. Observei. Silenciei quando muitos esperavam uma reação imediata. Mas chega um momento em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser conivência com aquilo que não pode ser normalizado.

Por isso, hoje, manifesto minha profunda indignação com tudo o que aconteceu no Concurso de Rainha do Rodeio da Expoacre.

Não se trata simplesmente de ganhar ou perder. Nunca foi sobre isso.” 

“Não teria qualquer problema em ficar em segundo, terceiro, quarto lugar ou até mesmo não subir ao pódio. Se esse fosse o resultado de uma avaliação justa, coerente e transparente, ele seria aceito com respeito. A indignação nunca foi pela posição ocupada, mas pelos questionamentos que surgiram diante da forma como tudo foi conduzido.”

“Também não posso deixar de questionar um ponto que considero essencial: como um concurso que, em uma seletiva, pergunta se a candidata toca berrante, conhece a história do berrante, sabe estralar a moxinga e abre a maior cavalgada do estado, representando o rodeio e carregando toda a tradição sertaneja, pode, na percepção de muitos que acompanharam o concurso, não atribuir o mesmo peso à avaliação dos principais acessórios que compõem a identidade de uma Rainha do Rodeio? Berrante, moxinga e os demais elementos tradicionais não são meros detalhes. Eles representam a essência desse título e da cultura que o concurso se propõe a celebrar.”

“Concursos podem ter resultados diferentes das nossas expectativas. O que não pode acontecer é a apresentação, a entrega, o talento e tudo aquilo que foi demonstrado no palco parecerem, na percepção de muitas pessoas, não ter qualquer relação com o resultado final.

Durante meses, me preparei. Dediquei tempo, energia, coração e verdade. Entreguei tudo o que tinha. Cada ensaio, cada detalhe, cada passo, cada apresentação, cada momento diante do público foi vivido com responsabilidade, amor e respeito por esse sonho.”

“Como se não bastasse toda a preparação, enfrentei mais um desafio que poucas pessoas conhecem. Apenas dois dias antes da apresentação, toda a estrutura que havia sido planejada foi barrada. Em vez de desistir, respirei fundo e reconstruí absolutamente tudo do zero em tempo recorde. Reorganizei apresentação, detalhes, estratégia e segui em frente porque acreditava que o que seria avaliado era a entrega, o preparo e o mérito dentro do palco.

Nada disso foi fácil.”

“Nada disso aconteceu por acaso.

Também acredito que, se estamos defendendo justiça e coerência, precisamos reconhecer o mérito de quem também fez uma excelente apresentação. O questionamento nunca foi contra nenhuma candidata. O questionamento sempre foi sobre os critérios adotados e sobre a coerência entre as apresentações e o resultado final.”

“Não aceito que uma trajetória construída com tanto esforço seja reduzida a uma narrativa que, na minha percepção, não representa tudo o que foi vivido. Não aceito que questionamentos legítimos sejam tratados como falta de humildade ou falta de respeito.

Questionar não é não saber perder.

Exigir coerência não é desrespeitar um resultado.

Defender a verdade não é atacar ninguém.

A verdade não precisa de gritos para existir, mas também não deve ser obrigada a permanecer em silêncio.”

“O que está sendo questionado não é apenas um título. É a coerência entre aquilo que foi apresentado e aquilo que foi decidido. É a necessidade de clareza, transparência e respeito com todas as candidatas que se dedicaram e entregaram o seu melhor.

Porque, quando se exige tanto de uma candidata, também é justo exigir responsabilidade de quem avalia.

Não podemos escolher quando a verdade deve ser conveniente. Não podemos defender transparência apenas quando o resultado nos favorece. E não podemos pedir que as pessoas simplesmente aceitem tudo em silêncio quando existem questionamentos legítimos e situações que, na percepção de quem acompanhou o concurso, merecem esclarecimentos.”

“Não vou negociar o correto para preservar o confortável.

Também não vou me calar diante de informações que considero distorcidas ou de tentativas de minimizar aquilo que foi visto por tantas pessoas.

A história, a entrega e a apresentação não podem ser reescritas por uma narrativa construída após o resultado.

Sei exatamente o que vivi. Sei o quanto me preparei. Sei o quanto me entreguei. E milhares de pessoas também viram.

Não estou aqui para diminuir nenhuma candidata. Não estou aqui para tirar o mérito de ninguém. Pelo contrário: todas as mulheres que chegaram até ali merecem respeito pela coragem, dedicação e pelo sonho.”

“Mas, justamente por respeitar todas as candidatas, acredito que todo resultado deve ser tratado com seriedade, responsabilidade e transparência.

A justiça não deve ser uma ameaça para quem fez tudo corretamente. A justiça deve ser uma garantia para todos.

Agradeço profundamente a cada pessoa que se manifestou, que apoiou, que defendeu, que enxergou a entrega e que não permitiu que essa voz fosse apagada.

Cada mensagem, cada palavra e cada demonstração de carinho mostraram que, muito além de uma faixa ou de uma coroa, existe algo que ninguém pode tirar: a marca que deixamos nas pessoas.”

“Talvez essa seja a maior prova de que toda essa entrega foi real.

Não existe arrependimento por ter dado tudo. Não existe arrependimento por sonhar. Não existe arrependimento por lutar. E muito menos por defender aquilo em que acredito.

Porque há momentos em que se calar é mais fácil.

Mas não negociar a verdade é uma escolha. Não aceitar o errado como normal é uma escolha.”

“Permanecer firme, mesmo quando tentam convencer que não devemos questionar, também é uma escolha.

Escolho a verdade.

Escolho a transparência.

Escolho a coerência.

E, acima de tudo, escolho não permitir que dedicação, trajetória e tudo o que foi construído sejam apagados por um resultado que, para mim e para tantas pessoas que acompanharam o concurso, deixou questionamentos que ainda precisam ser respondidos.”

“Trata-se de saber reconhecer quando algo precisa ser questionado.

E enquanto houver perguntas sem respostas, não haverá silêncio capaz de apagar a indignação de quem viu, acompanhou e sabe o quanto foi entregue naquele palco.

A coroa pode até não estar na minha cabeça. Mas a história, a entrega e tudo o que foi construído ninguém pode tirar.

E, enquanto houver voz, não será negociado o inegociável.

A verdade.

A transparência.

O respeito.”

“Obrigada a todos que estão comigo.

A luta por justiça não nasce do ódio.

Nasce da coragem de não aceitar que a verdade seja tratada como inconveniente e falta de respeito.

“Há sonhos que ninguém pode realizar por você. E há princípios que ninguém deveria atropelar.”

Maiane Sobrinho.”

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.