Novos e espetaculares geoglifos sĂŁo registrados na fronteira do Acre; VEJA FOTOS

Por ASCOM 30/06/2022 Ă s 14:00 Atualizado: hĂĄ 4 anos

Na Ășltima semana, durante um sobrevoo de rotina do Centro Integrado de OperaçÔes AĂ©reas (Ciopaer) a bordo do Harpia 04 Ă  divisa do Acre com a BolĂ­via, foi possĂ­vel visualizar novos grupos de desenhos milenares conhecidos como geoglifos numa regiĂŁo jĂĄ conhecida por pesquisadores estudiosos destas construçÔes antigas.

Ao todo foram registrados trĂȘs conjuntos de geoglifos prĂłximos uns dos outros, circulares e quadrados. Foto: Diego Gurgel/Secom

A missão foi conduzida pelo comandante Samir Rogério, tenente-coronel da Polícia Militar e coordenador de operaçÔes do Ciopaer, e na tripulação estavam o segundo-sargento da Polícia Militar Keury Souza, o primeiro-tenente do Corpo de Bombeiros Militar Roger Johnny Filgueira, e o repórter fotogråfico Diego Gurgel, partindo do hangar logo cedo, antes de amanhecer e se distanciando 80km em linha reta em direção à fronteira com o país vizinho, quando avistaram as primeiras formas geométricas dispostas em grupos.

Ao todo foram registrados trĂȘs conjuntos de geoglifos prĂłximos uns dos outros, circulares e quadrados, e “sĂł foi possĂ­vel enxergĂĄ-los graças Ă  angulação acentuada dos raios solares da manhĂŁ, caso contrĂĄrio seria praticamente impossĂ­vel enxergĂĄ-los, pois seus barrancos nĂŁo produziriam uma sombra”, afirmou Diego Gurgel.

“Os geoglifos são muito difíceis de serem visualizados em outra hora do dia, pois a falta de sombras apaga as formas, sendo eles ignorados por muitos que sobrevoam a Amazînia”, acrescentou.

Vistos do alto, sĂŁo desenhos no solo (geo=terra, glifo=marca), com formatos de cĂ­rculos, quadrados, retĂąngulos, pentĂĄgonos, octĂłgonos dentre outras formas, simples, compostas, isoladas ou em grupos. Foto: Diego Gurgel/Secom

ImportĂąncia histĂłrica

Geoglifos são estruturas ou construçÔes dos povos ancestrais que viveram nessa região que hoje é o estado do Acre.

Vistos do alto, sĂŁo desenhos no solo (geo=terra, glifo=marca), com formatos de cĂ­rculos, quadrados, retĂąngulos, pentĂĄgonos, octĂłgonos dentre outras formas, simples, compostas, isoladas ou em grupos.

No final do século passado e no início dos anos 2000 as primeiras fotos foram registradas pelos veteranos Agenor Mariano, Edison Caetano e Sérgio Vale e hoje fazem parte do acervo fotogråfico da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Acre.

A partir do ano de 2005, foi organizado e consolidado o Grupo de Pesquisas dos Geoglifos da AmazÎnia Ocidental, sob a liderança da Dra. Denise Schaan (1962-2018), do Museu Goeldi e Universidade Federal do Parå, com o apoio do Dr. Martti PÀrsssinen, da Universidade de Helsinki (Finlùndia). Com as escavaçÔes, fotos aéreas, mediçÔes em campo e o uso de Lidar (Light Detection and Ranging), sensor de medição e topografia a laser por radares. Muito se ampliou o conhecimento dessas estruturas com as novas tecnologias, tipo GoogleEarth e ZoomEarth. Assim, sabemos mais sobre a sua distribuição geogråfica.

Durante um sobrevoo de rotina do Centro Integrado de OperaçÔes Aéreas (Ciopaer) a bordo do Harpia 04 à divisa do Acre com a Bolívia, foi possível visualizar novos grupos de desenhos milenares conhecidos como geoglifos. Foto: Diego Gurgel/Secom

Estas novas imagens feitas pelo fotógrafo Diego Gurgel são importantes registros históricos, pois afirmam a presença de geoglifos na região entre a margem direita do Igarapé Miterrã, e a margem esquerda do Rio Rapirrã, próximos à Bolívia, mais precisamente entre os municípios de Capixaba e Plåcido de castro.

As dataçÔes de outros geoglifos no estado do Acre indicam uma idade entre 1500 a 2000 anos. Eles deixaram de ser construídos ou abandonados por volta do ano de 1200, ou seja, 300 anos antes da chegada de Cabral ao Brasil.

Estes povos desapareceram, mas sua memĂłria ficou tatuada na paisagem do Acre.

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