Pesquisa estima que 17,5 mil moradores da capital sofreram discriminação

Estudo do TCE, em parceria com a Ufac, aponta ainda que 6,8 mil foram vítimas de assédio sexual

Por Anne Nascimento, ContilNet 21/06/2026 às 14:20
Pesquisa também identificou que 2,5% da população, o equivalente a 6.849 pessoas, relatou ter sofrido constrangimento. — Foto: Reprodução

Uma pesquisa de vitimização realizada pelo Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC), em parceria com a Universidade Federald o Acre (Ufac), em Rio Branco, estima que 17.533 moradores sofreram algum tipo de discriminação e que 6.849 pessoas foram vítimas de constrangimento por insinuação de cunho sexual no ambiente de trabalho. Apesar da dimensão dos números, a grande maioria dos casos nunca chegou às autoridades, com um cenário de subnotificação que ultrapassa os 90%.

O levantamento, realizado entre fevereiro e abril de 2026, ouviu 800 moradores com 16 anos ou mais e utilizou como universo uma população estimada de 273.951 pessoas residentes na capital acreana.

O estudo aponta que, dentre as ocorrências, uma taxa de ocorrência de 6,4%, o equivalente a 17.533 pessoas. No entanto, apenas 7,8% das vítimas registraram ocorrência policial. Isso significa que cerca de 16.165 moradores podem ter sofrido esse tipo de violência sem procurar as autoridades.

A pesquisa também identificou que 2,5% da população, o equivalente a 6.849 pessoas, relatou ter sofrido constrangimento por insinuação de cunho sexual no ambiente de trabalho. A subnotificação é ainda maior nesse recorte: somente 5% das vítimas formalizaram denúncia, deixando uma estimativa de 6.507 casos sem registro oficial.

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A discriminação foi mais frequente na região Centro e Entorno, com 8,1% dos relatos, seguida pela Baixada e outras regiões (6,9%). O levantamento também aponta maior incidência entre pessoas negras, que registraram índice de 6,9%, contra 5,8% entre pessoas brancas.

Entre os tipos de discriminação mais citados, a étnico-racial lidera os registros, representando 21,9% das respostas, seguida por discriminação relacionada à condição socioeconômica e ao território (15,8%), por condições de saúde e deficiência (15,7%) e por intolerância religiosa (12,5%).

No recorte sobre assédio sexual no trabalho, as mulheres aparecem como as principais vítimas, com índice de 3,1%, ante 1,8% entre os homens. A maior incidência também foi observada entre pessoas com ensino superior (5,2%) e entre aquelas com renda familiar superior a cinco salários mínimos (6,4%).

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