A economia do Acre tem nos pequenos negócios uma de suas principais bases. Eles representam 94,3% do total de empresas ativas no estado e desempenham papel central na geração de emprego e renda, segundo dados do governo estadual. Nesse cenário, o artesanato ligado à sociobiodiversidade tem ganhado destaque ao transformar sementes, madeira reaproveitada e outros insumos da floresta em produtos com valor de mercado nacional e internacional.
Em 2025, o setor artesanal acreano movimentou mais de R$ 1,2 milhão em vendas, impulsionado por iniciativas que unem tradição, inovação e sustentabilidade. A produção envolve desde a coleta de matérias-primas em áreas de floresta preservada até o beneficiamento e a transformação em biojoias e peças de decoração.
Um dos exemplos desse modelo de negócio é o trabalho da artesã Rodney Paiva Ramos, que há mais de duas décadas atua na produção de peças feitas com sementes, ouriços de castanha-do-brasil e madeira reaproveitada. O que começou como alternativa de renda familiar se transformou em uma marca reconhecida dentro e fora do país.
“Ver uma semente, um ouriço ou até um pedaço de madeira e conseguir transformar isso em uma peça é algo muito especial”, afirma a artesã.
Além de gerar renda, o setor também se conecta à conservação ambiental. Segundo especialistas, a manutenção de áreas de reserva legal na Amazônia permite o uso sustentável dos recursos naturais, fortalecendo o conceito de bioeconomia.
“Você tem ali uma área preservada de floresta que não pode ser desmatada. Nesses 80% é onde está toda a riqueza que a gente pode e deve aproveitar economicamente”, explica o engenheiro florestal e diretor da Secretaria de Planejamento do Acre, Marky Brito.
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A cadeia produtiva envolve diferentes etapas e trabalhadores, incluindo a coleta em comunidades mais afastadas, o beneficiamento das sementes e a produção artesanal. Em alguns casos, o transporte pode levar dias até chegar aos centros de produção.
O crescimento do setor também é acompanhado por instituições como o Sebrae, que atua na capacitação de artesãos e na inserção de produtos acreanos em mercados nacionais e internacionais. Segundo o coordenador do projeto de internacionalização da entidade, o objetivo é fortalecer atividades de baixo impacto ambiental e alto valor cultural.
Com apoio dessas iniciativas, o artesanato acreano tem chegado a feiras internacionais e até a lojas de referência, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP). Peças produzidas no estado também já são comercializadas em mercados da Europa, especialmente no Reino Unido.
