Embrapa revela tecnologia para baratear manejo florestal em até 90%
A inteligência artificial está transformando o manejo das florestas brasileiras. Durante a Expoacre 2026, o pesquisador da Embrapa Acre, Dr. Evandro Orfanó, apresentou o NatFlora, uma tecnologia que utiliza drones e inteligência artificial para identificar espécies, medir o potencial produtivo das árvores e elaborar o planejamento florestal de forma muito mais rápida e econômica.
Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e doutor em Florestas Tropicais, Orfanó explicou que a ferramenta foi desenvolvida para atender às demandas da engenharia florestal e já vem sendo utilizada por profissionais de diversos países.
“Nossa IA consegue reconhecer as espécies, localizar os indivíduos, tomar medidas para saber a capacidade produtiva de cada árvore e identificar se ela está apta ou não para exploração. Isso reduz em até 90% o custo do planejamento florestal, viabilizando o uso por pequenas cooperativas e indústrias florestais”, destacou.
Segundo o pesquisador, o método tradicional exige equipes em campo identificando árvore por árvore, alcançando uma média de apenas quatro hectares mapeados por dia. Com o uso de drones e da inteligência artificial, a produtividade aumenta de forma significativa.
“Um único profissional sai de uma produção de quatro hectares para cerca de 1.700 hectares por dia. Dependendo da equipe, é possível mapear até 6 mil hectares em um único dia”, afirmou.
Após o voo dos drones, as imagens são processadas pela inteligência artificial, que funciona como um “mateiro eletrônico”, reconhecendo automaticamente as espécies, registrando coordenadas geográficas, analisando a copa das árvores e produzindo o planejamento florestal.
“A IA faz esse trabalho em uma capacidade que chega a dois hectares por segundo dentro do escritório. É um outro ritmo, que envolve robótica, mapeamento aéreo, inteligência artificial e engenharia florestal.”
A tecnologia já reúne cerca de 12 mil usuários, principalmente no Brasil, mas também em outros países, incluindo a China. Embora tenha sido criada para o planejamento florestal, o pesquisador explica que novas aplicações surgiram ao longo do desenvolvimento.
“Hoje ela também está sendo utilizada em projetos de carbono, valoração de propriedades rurais, mercado imobiliário e no planejamento de cadeias produtivas como a da carnaúba, no Ceará, e do babaçu, no Tocantins.”
Orfanó também destacou que o NatFlora está disponível gratuitamente por meio do software de engenharia QGIS, permitindo que engenheiros florestais e agrônomos tenham acesso à ferramenta.
“O plugin do NatFlora está disponível gratuitamente. Basta utilizar. É uma tecnologia interativa que pode gerar um grande ganho de produtividade.”
A apresentação integra a programação da Embrapa na Expoacre 2026, que tem levado ao público pesquisas desenvolvidas na Amazônia e demonstrado como a ciência e a inovação podem contribuir para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento das cadeias produtivas do país.