Acre pela Vida completa seis anos com 50 mil atendimentos no estado

Criado para frear índices criminais com ações transversais, programa da Sejusp consolida 114 frentes de atuação em 17 municípios

Por Redação ContilNet 23/05/2026 às 12:33

Instituído em 2020 pelo governo do Acre para fazer frente aos elevados índices criminais que impactavam o estado à época, o programa estadual Acre pela Vida completou seis anos de vigência com uma mudança em sua matriz operacional. Sob a coordenação da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a iniciativa consolidou um modelo de governança integrada que reúne as polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Instituto de Administração Penitenciária (Iapen), Departamento Estadual de Trânsito (Detran), além de secretarias setoriais e entidades da sociedade civil organizada.

O balanço técnico das atividades desenvolvidas entre janeiro de 2023 e março de 2026 aponta para o amadurecimento institucional do projeto, que migrou de ações assistenciais isoladas para políticas públicas estruturantes de longo prazo. No período recortado, o programa registrou 114 ações integradas de cidadania e prevenção primária, alcançando a marca de aproximadamente 50 mil pessoas atendidas e a distribuição de 40 mil toneladas de insumos alimentares a comunidades em situação de vulnerabilidade social.

Acre pela Vida completa seis anos com 50 mil atendimentos no estado

O programa Acre pela Vida completou seis anos com a marca de 50 mil atendimentos/ Foto: Reprodução

A capilaridade do Acre pela Vida estendeu-se por 17 municípios acreanos, cobrindo diferentes regionais do estado. Foram alcançadas populações urbanas, rurais e ribeirinhas nas cidades de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Sena Madureira, Bujari, Brasiléia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Porto Acre, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Acrelândia, Tarauacá, Feijó, Senador Guiomard e Xapuri.

Estrutura do Programa Acre pela Vida

O programa atua por meio de quatro eixos principais de projetos estruturantes, desenhados para atender diferentes faixas etárias e contextos sociais:

Projeto Público-Alvo Foco Principal
Pequenos Brilhantes Alunos do Ensino Fundamental I Formação cidadã, empatia e aproximação com forças de segurança.
SUAT (Adolescente de Triunfo) Adolescentes (Cruzeiro do Sul) Prevenção ao uso de entorpecentes, disciplina e apoio intersetorial.
Florescendo em Paz Comunidades rurais e ribeirinhas Educação ambiental, direitos humanos e cultura de paz em áreas isoladas.
Banco de Alimentos Famílias em vulnerabilidade Combate direto à insegurança alimentar e desnutrição.

Fomento ao esporte e articulação comunitária

No campo da inclusão social voltada a faixas etárias de maior vulnerabilidade ao aliciamento de organizações criminosas, o programa financia e apoia 40 iniciativas esportivas contínuas, englobando modalidades como futebol, capoeira e artes marciais. A coordenadora do Acre pela Vida, Fátima Paiva, pontua que o foco na infância e juventude foi a resposta encontrada pela Sejusp para reverter indicadores criminais. “Nós vemos que os jovens estão envolvidos nas atividades e permanecem nos projetos sociais. O esporte e a música têm um potencial transformador imenso”, avalia Paiva.

Acre pela Vida completa seis anos com 50 mil atendimentos no estado

114 ações integradas de prevenção à criminalidade no Acre/ Foto: Reprodução

O secretário de Segurança Pública, José Américo Gaia, corrobora a análise técnica ao afirmar que a estratégia descentralizada aproxima os aparatos de repressão e proteção do cidadão comum. “Temos conseguido ampliar o acesso à cidadania ao mesmo tempo em que trabalhamos na prevenção à criminalidade”, diz o gestor.

A governadora Mailza Assis destacou que o programa reflete um compromisso governamental contínuo com as garantias fundamentais da população. “Ao completar seis anos, o programa mostra resultados importantes por meio de ações integradas que unem prevenção, inclusão social e oportunidades para a nossa população, especialmente para as crianças e os jovens. Mais do que números, estamos falando de famílias acolhidas e vidas transformadas”, afirmou a chefe do Executivo.

Histórias de multiplicação social nos bairros

O modelo de prevenção do programa estimula a formação de lideranças locais. Um dos reflexos práticos dessa política ocorre no bairro Arueira, em Rio Branco, onde a moradora Adryelle da Silva coordena um projeto voluntário de recreação que atende 150 crianças em uma quadra poliesportiva. Adryelle, que na infância integrou o programa Guarda Mirim da Polícia Militar, buscou o suporte logístico do Acre pela Vida para estruturar escolinhas de vôlei, futebol e jogos de tabuleiro na comunidade.

Acre pela Vida completa seis anos com 50 mil atendimentos no estado

Programa de prevenção à violência atinge 17 municípios do Acre/ Foto: Ítalo Souza/Sejusp

“O programa foi um divisor de águas pra minha vida porque tirava os jovens das ruas. Sabendo o quanto fui ajudada pela Segurança, decidi buscar ajuda do Acre pela Vida, que passou a me apoiar nesse projeto com materiais esportivos e incluindo as crianças em programações”, relata Adryelle.

O impacto da ação comunitária é referendado pelos assistidos da localidade. Gabriel Ashaff, uma das crianças inseridas nas atividades diárias da quadra, destaca o acolhimento recebido no contraturno escolar: “Gosto muito, porque a gente brinca e posso ter amigos”. Ana Elyza, de 12 anos, complementa o relato destacando o senso de coletividade: “Ela representa a união, a família”.

Combate à violência infantil no Maio Laranja

Além dos cronogramas fixos, o Acre pela Vida atua no desdobramento de campanhas nacionais temáticas. Ao longo deste mês, as forças integradas intensificaram as ações do Maio Laranja, iniciativa voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. No âmbito operacional, a Sejusp coordena a Operação Caminhos Seguros, que engloba frentes de conscientização escolar e repressão qualificada a crimes de violência sexual.

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Operação contra abuso infantil prende dois e resgata 72 vítimas no Acre/ Foto: Ítalo Souza/ Sejusp

No último dia 14 de maio, a secretaria realizou o “Dia D” da operação para apresentar o primeiro balanço consolidado das ações iniciadas no dia 4 do mesmo mês. Os indicadores da força-tarefa computaram o recebimento de 18 denúncias formais, a abertura de investigações contra 16 suspeitos e o atendimento especializado a 72 vítimas menores de idade. A ofensiva policial resultou ainda em duas prisões em flagrante e no confisco de materiais com conteúdo de pornografia infantil de circulação restrita.

Para garantir a continuidade do fluxo de informações e o sigilo de denunciantes, o Estado mantém canais telefônicos integrados ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). Populares podem reportar violações de direitos humanos pelo Disque 100, episódios de violência doméstica pelo 180, além dos números de inteligência estadual 181 e 197, com funcionamento ininterrupto.

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