Próximo presidente vai poder escolher quatro novos ministros do STF
A eleição presidencial de 2026 pode ter uma consequência que vai muito além da escolha de quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos: o próximo presidente da República terá nas mãos a possibilidade de mudar de forma significativa a composição do Supremo Tribunal Federal (STF).
Pela composição atual da Corte, o presidente eleito poderá indicar pelo menos quatro novos ministros durante o mandato que começa em 2027. Uma vaga já está aberta e outras três serão criadas ao longo dos anos seguintes, com as aposentadorias compulsórias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que chegarão aos 75 anos.
Na prática, isso significa que o próximo presidente poderá escolher quase um terço do Supremo.
E é justamente aí que a eleição ganha uma dimensão que, muitas vezes, fica escondida no debate tradicional sobre economia, segurança pública, saúde ou programas sociais. O voto para presidente em 2026 também ajudará a definir quem terá influência sobre a composição da mais alta Corte do país na segunda metade desta década.
O tema ganhou ainda mais peso diante da crise de confiança que envolve o STF e de episódios que colocaram ministros da Corte no centro do debate político e institucional nas últimas semanas. As discussões envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça, o Banco Master e os desdobramentos do inquérito das fake news ampliaram a pressão sobre o Supremo e fizeram com que a composição futura do tribunal passasse a ser observada com atenção redobrada.
No Acre, porém, há um político que percebeu esse argumento há bastante tempo.
Bittar aposta no argumento do STF
Principal nome do bolsonarismo no Acre, o senador Márcio Bittar vem repetindo, há meses, um argumento específico ao pedir votos para Flávio Bolsonaro na disputa presidencial: se eleito, será Flávio quem poderá indicar quatro novos ministros do STF.
Não é um detalhe do discurso. É justamente um dos principais pontos utilizados por Bittar para mobilizar o eleitorado bolsonarista em torno da candidatura.
A estratégia é simples e politicamente eficiente: transformar uma eleição presidencial em uma escolha também sobre o futuro do Supremo.
Para uma parcela do eleitorado de direita, a possibilidade de Flávio Bolsonaro indicar quatro ministros funciona como uma espécie de garantia de mudança na Corte. Para seus adversários, o mesmo cenário desperta preocupação sobre uma eventual concentração de influência política sobre o tribunal.
O fato objetivo, independentemente da preferência política, é que o próximo presidente terá uma responsabilidade incomum sobre a composição do STF.
E Bittar já percebeu que esse pode ser um dos argumentos mais fortes da campanha no Acre. Enquanto muitos candidatos ainda concentram o discurso nas questões mais imediatas do cotidiano, o senador vem tentando levar o eleitor a olhar para uma consequência de longo prazo da eleição: quem vencer a disputa presidencial poderá definir o perfil do Supremo por muitos anos.
A conta que explica o peso da próxima eleição para o STF
Para entender por que a eleição presidencial de 2026 terá impacto direto sobre o futuro do Supremo Tribunal Federal, basta olhar para a composição atual da Corte.
Dos dez ministros que hoje ocupam cadeiras no STF, quatro foram indicados por Luiz Inácio Lula da Silva: Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Lula indicou Cármen em 2006, Toffoli em 2009, Zanin em 2023 e Dino em 2024.
Jair Bolsonaro indicou dois: Nunes Marques, em 2020, e André Mendonça, em 2021. Michel Temer indicou um: Alexandre de Moraes, em 2017.
Dilma Rousseff indicou Edson Fachin, em 2015. Luís Roberto Barroso, também indicado por Dilma, deixou o Supremo em outubro de 2025, em aposentadoria voluntária.
Já Fernando Henrique Cardoso não tem atualmente nenhum ministro indicado por seu governo na composição da Corte. Gilmar Mendes, nomeado por FHC em 2002, é a exceção histórica que ainda permanece no tribunal.
A conta ajuda a explicar o tamanho da decisão que estará nas mãos do próximo presidente.
O STF está hoje com dez ministros, após a aposentadoria de Barroso. A vaga aberta ainda não foi preenchida. Além dela, três outras cadeiras deverão ficar disponíveis nos próximos anos em razão da aposentadoria compulsória de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, quando atingirem 75 anos.
Ou seja: o presidente eleito em 2026 poderá indicar pelo menos quatro ministros ao longo do mandato iniciado em 2027.
É essa matemática que Márcio Bittar vem levando para o discurso eleitoral no Acre ao pedir votos para Flávio Bolsonaro. O senador tem repetido que, caso Flávio seja eleito, terá a possibilidade de indicar quatro integrantes do Supremo.
O argumento transforma a disputa presidencial em uma escolha que terá efeitos para além dos quatro anos de mandato. O eleitor também estará, indiretamente, escolhendo quem terá a prerrogativa de indicar uma parcela relevante da futura composição do STF.
Em um momento em que a Corte está no centro de disputas institucionais e políticas, a sucessão presidencial ganha, portanto, uma dimensão adicional: quem ocupar o Palácio do Planalto a partir de 2027 poderá participar da definição do perfil do Supremo para as próximas décadas.
Quem indicou os ministros que estão no STF hoje
- Lula — Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino
- Jair Bolsonaro — Nunes Marques e André Mendonça
- Michel Temer — Alexandre de Moraes
- Dilma Rousseff — Edson Fachin
- Fernando Henrique Cardoso — Gilmar Mendes
Atualmente, a Corte está com dez ministros e uma vaga aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, indicado por Dilma Rousseff em 2013. A composição oficial e o histórico de indicações são registrados pelo próprio STF.