O Acre liderou as ocorrĂȘncias de conflitos relativos a direitos territoriais no ano passado. Das 96 registradas em todo o paĂs, 35 ocorreram no Acre, segundo os dados do Conselho Indigenista MissionĂĄrio (CIMI).
Levantamentos feitos pelo Cimi e Greenpeace constataram diversas invasĂ”es de terras indĂgenas na AmazĂŽnia, sendo muitas delas jĂĄ homologadas. Constataram tambĂ©m que os loteamentos ilegais se alastraram por cinco estados: ParĂĄ, Amazonas, Acre, RondĂŽnia e MaranhĂŁo. Quadrilhas entram para roubar madeira, explorar garimpos ou realizar caçadas; quando saem, entram os grileiros tentando se estabelecer dentro do territĂłrio, ameaçando as comunidades
Dos conflitos denunciados no ano passado, alguns sĂŁo bastante recorrentes e denunciados ano apĂłs ano pelas comunidades indĂgenas, sem, no entanto, receberem soluçÔes concretas. Os conflitos envolvem uma sĂ©rie de violaçÔes de direitos e diversas açÔes truculentas desencadeadas por autoridades executivas, policiais, seguranças particulares e grupos. Portarias declarando nulidade de processos demarcatĂłrios e registros no Cadastro Ambiental Rural (CAR) sobrepostos a terras indĂgenas, especialmente em RondĂŽnia e no Acre, foram motivos de tensĂŁo entre diversas comunidades.
Lideranças da TI Arara do Rio AmĂŽnia hĂĄ anos lutam para a retirada dos posseiros de seu territĂłrio. VĂĄrios deles insistem em nĂŁo receber as indenizaçÔes propostas e continuam ocupando a terra indĂgena. A comunidade tem vivido sob tensĂŁo devido Ă s ameaças recebidas dos invasores; hĂĄ relatos de que esses invasores tĂȘm impedido os indĂgenas de atĂ© mesmo fazerem suas roças de subsistĂȘncia dentro de sua prĂłpria terra. Relatam tambĂ©m que esses invasores estĂŁo retirando madeira para construir suas moradias, e que tambĂ©m caçam e pescam no territĂłrio, levando para vender na cidade. Foi feita denĂșncia junto Ă Funai e ao MPF e a comunidade solicitou providĂȘncias.
Em 2020, ocorreram 263 casos de invasĂ”es possessĂłrias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimĂŽnio indĂgena, sendo 13 no Acre. Entre os casos registrados em territĂłrio acreano, o Cimi destaca invasĂŁo e infiltração de organizaçÔes criminosas, invasĂŁo de posseiros, madeireiros e grileiros, desmatamento e outros.

