Acre lidera ocorrĂȘncias de conflitos relativos a direitos territoriais indĂ­genas

Por NANY DAMASCENO, DO CONTILNET 31/10/2021 Ă s 11:54
Foto: CIMI

O Acre liderou as ocorrĂȘncias de conflitos relativos a direitos territoriais no ano passado. Das 96 registradas em todo o paĂ­s, 35 ocorreram no Acre, segundo os dados do Conselho Indigenista MissionĂĄrio (CIMI).

Levantamentos feitos pelo Cimi e Greenpeace constataram diversas invasÔes de terras indígenas na AmazÎnia, sendo muitas delas jå homologadas. Constataram também que os loteamentos ilegais se alastraram por cinco estados: Parå, Amazonas, Acre, RondÎnia e Maranhão. Quadrilhas entram para roubar madeira, explorar garimpos ou realizar caçadas; quando saem, entram os grileiros tentando se estabelecer dentro do território, ameaçando as comunidades

Dos conflitos denunciados no ano passado, alguns são bastante recorrentes e denunciados ano após ano pelas comunidades indígenas, sem, no entanto, receberem soluçÔes concretas. Os conflitos envolvem uma série de violaçÔes de direitos e diversas açÔes truculentas desencadeadas por autoridades executivas, policiais, seguranças particulares e grupos. Portarias declarando nulidade de processos demarcatórios e registros no Cadastro Ambiental Rural (CAR) sobrepostos a terras indígenas, especialmente em RondÎnia e no Acre, foram motivos de tensão entre diversas comunidades.

Lideranças da TI Arara do Rio AmĂŽnia hĂĄ anos lutam para a retirada dos posseiros de seu territĂłrio. VĂĄrios deles insistem em nĂŁo receber as indenizaçÔes propostas e continuam ocupando a terra indĂ­gena. A comunidade tem vivido sob tensĂŁo devido Ă s ameaças recebidas dos invasores; hĂĄ relatos de que esses invasores tĂȘm impedido os indĂ­genas de atĂ© mesmo fazerem suas roças de subsistĂȘncia dentro de sua prĂłpria terra. Relatam tambĂ©m que esses invasores estĂŁo retirando madeira para construir suas moradias, e que tambĂ©m caçam e pescam no territĂłrio, levando para vender na cidade. Foi feita denĂșncia junto Ă  Funai e ao MPF e a comunidade solicitou providĂȘncias.

Em 2020, ocorreram 263 casos de invasÔes possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimÎnio indígena, sendo 13 no Acre. Entre os casos registrados em território acreano, o Cimi destaca invasão e infiltração de organizaçÔes criminosas, invasão de posseiros, madeireiros e grileiros, desmatamento e outros.

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