A reunião realizada nesta quarta-feira (8), em Brasília, entre o senador Alan Rick e as principais lideranças nacionais do Republicanos e do PL tem potencial para movimentar ainda mais o tabuleiro político acreano. O encontro ganha peso porque o PL, hoje, integra a base da governadora Mailza Assis (Progressistas), pré-candidata ao Governo do Acre e principal adversária de Alan na disputa de 2026.
Participaram da reunião o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), além do deputado federal Roberto Duarte (Republicanos-AC), do ex-deputado federal Ilderlei Cordeiro e de outras lideranças.
Embora a pauta oficial tenha sido a construção de alianças para as eleições de 2026, o encontro reforça que as negociações entre Republicanos e PL avançam tanto no cenário nacional quanto nos estados. O Acre está entre os locais onde as duas legendas discutem uma possível composição eleitoral.
Nos bastidores, a reunião é vista como um sinal de que o PL poderá reavaliar seu posicionamento no estado, caso a direção nacional decida priorizar um alinhamento com o Republicanos. Hoje, a sigla faz parte da base política de Mailza Assis, mas a aproximação entre os partidos em Brasília pode produzir reflexos diretos na disputa pelo Palácio Rio Branco.
Além das conversas sobre o Acre, os dirigentes também trataram da articulação nacional entre Republicanos e PL, que inclui o apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Ao comentar o encontro, Alan Rick demonstrou otimismo com o avanço das tratativas.
“Foi uma conversa muito positiva. Tivemos a oportunidade de dialogar sobre o futuro do Acre, ouvir pontos de vista e fortalecer a construção de um projeto que coloque os interesses da nossa população em primeiro lugar. Creio que nossa aliança está bem encaminhada.”
A declaração do senador reforça a percepção de que as negociações entre as duas legendas caminham além do plano nacional. Se o entendimento for consolidado, Alan poderá ganhar um importante aliado em sua pré-campanha ao Governo, enquanto Mailza corre o risco de ver um dos partidos de sua base migrar para o principal adversário. O desfecho, porém, ainda dependerá das definições das direções estaduais e nacionais das duas siglas.
Bittar admite dificuldade para manter PL com Mailza se houver acordo nacional
A aproximação entre Republicanos e PL, reforçada pela reunião desta quarta-feira (8), ocorre poucos dias depois de o senador Márcio Bittar (PL), principal liderança da sigla no Acre, reconhecer ao ContilNet que um eventual acordo nacional entre os dois partidos pode provocar uma mudança de rumo no estado.
Em entrevista concedida no fim de junho, Bittar afirmou que um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, para que o PL apoie Alan Rick no Acre colocaria o partido diante de uma decisão difícil, já que atualmente integra a base da governadora Mailza Assis.
“Eu não vou antecipar uma coisa que pode não acontecer. Eu só posso dizer o seguinte: se a direção nacional, se o meu candidato a presidente do Brasil, que é filho do meu amigo Jair Bolsonaro, me solicitar, é uma parada dura. Eu vou ter que pensar muito, não tem como responder de pronto, porque eu tenho uma aliança com o governo. O Flávio Bolsonaro sabe disso, a direção nacional sabe disso. Então, não é fácil. Agora, é isso, é uma parada dura. Mas isso pode acontecer.”
Na mesma entrevista, Bittar também afirmou que a possível composição entre Republicanos e PL em Brasília faz sentido político e explicou por que o Acre entrou na mesa de negociação.
“A matéria faz sentido, porque se você me perguntar o seguinte: faz sentido o Flávio querer o Republicanos? Claro que faz. Faz sentido o Marcos Pereira, que é o cara preocupado, que cuida do partido no Brasil inteiro, pedir ao PL, ao Flávio, algumas contrapartidas? Faz também. E o Acre está na rota por quê? Porque o Alan, nesses quatro anos, foi colega do Flávio, foi colega do Rogério [Marinho], e o Alan não teve nenhuma parada dura que ele não esteve conosco.”
Dias depois, apesar de reafirmar que o PL permanece aliado de Mailza, o senador voltou a expor incômodo com a relação entre o partido e a base governista. Ao ContilNet, Bittar declarou que o PL tem feito mais esforço para manter a aliança do que os próprios aliados.
“Eu acho que eu e o PL queremos mais o casamento com o União Brasil e com o PP do que eles conosco. Tem algumas atitudes que eu tenho dificuldade de entender.”

