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Ator acreano perde 10kg e raspa a cabeça para estrelar em novo filme

Por Matheus Mello, ContilNet 30/08/2026 09:38 Atualizado em 30/08/2026 09:38
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Gabriel Knoxx já encarou personagens envolvidos com o crime, mas decidiu ir além para viver seu novo papel no cinema. O ator acreano, vencedor do Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado por “Noites Alienígenas”, perdeu 10 quilos em cerca de dois meses e raspou a cabeça para interpretar Irino Vim, um dos personagens do novo longa de Sérgio de Carvalho e Pedro von Krüger, “A Estirada”.

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Em entrevista ao ContilNet, Gabriel contou que a transformação começou antes mesmo de embarcar para as locações. A ideia era fazer com que seu corpo também contasse parte da história de um homem que vive há meses isolado em meio à floresta amazônica.

“Antes de viajar para o Acre para gravar o filme, eu comecei um processo de emagrecimento. E eu consegui, em um mês e meio, mais ou menos, quase dois meses, perder 10 quilos para o personagem”, revelou.

Na trama, Gabriel interpreta um homem que herdou do pai um acampamento ligado ao refino e preparo de drogas e passou a comandar o local. É justamente nesse acampamento que parte da jornada dos protagonistas se desenvolve.

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“Ele herdou um acampamento de refino, de preparo de drogas, do pai dele e é ele que comanda ali todo um acampamento. Uma das passagens dos personagens por essa estirada é por esse acampamento”, explicou o ator.

A mudança física foi acompanhada por outra transformação radical. A pedido de Sérgio de Carvalho, Gabriel também raspou a cabeça. O ator, que estava com o cabelo comprido, aceitou a proposta e diz que a combinação do novo visual com o corpo mais magro foi fundamental para entrar na pele do personagem.

Ator precisou encarar uma mudança radical no corpo/Foto: Cedida

“Eu queria me sentir no corpo do personagem. O Sérgio deu a proposta de raspar a minha cabeça e eu estava com o cabelo bem grande. A gente conversou e eu abracei com certeza a ideia. Então, quando eu me olhava no espelho, eu já me via mais magro, com outro cabelo. Tudo isso ajudou muito a chegar melhor no personagem, a incorporar melhor o personagem”, contou.

Um personagem diferente

Apesar de já ter interpretado personagens ligados ao mundo do crime, Gabriel afirma que Irino Vim trouxe um desafio diferente. Segundo ele, seus papéis anteriores muitas vezes estavam associados ao estereótipo do “bandido cruel”. Agora, a proposta é revelar também a humanidade de um homem violento.

“Pela primeira vez eu faço um personagem em que eu tenho que demonstrar uma certa humanidade dele. Eu tenho cenas em que demonstro a fragilidade dele. Acho que eu evoluo muito como ator com esse personagem”, afirmou.

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A experiência pessoal também ajudou na construção. Gabriel cresceu na periferia de Rio Branco e chegou ao cinema sem experiência anterior como ator. Foi justamente em “Noites Alienígenas”, de Sérgio de Carvalho, que interpretou Rivelino e ganhou projeção nacional. O filme fez história no Festival de Gramado de 2022 ao conquistar cinco Kikitos, incluindo o de Melhor Filme e o de Melhor Ator para Gabriel.

Gabriel Knoxx sendo premiado no Festival de Gramado. Foto: Reprodução

Agora, quatro anos depois da consagração, ele volta a trabalhar com o diretor que lhe abriu as portas do cinema.

“Para mim, voltar para a arte e fazer essa mudança radical em um personagem feito pelo meu primeiro diretor, a primeira pessoa que me deu a oportunidade de fazer um filme, foi surreal para mim. Voltei de lá muito completo, muito satisfeito”, disse.

Uma travessia pelo coração da Amazônia

“A Estirada” acompanha dois jovens em uma jornada de sobrevivência e redenção pelo coração da floresta amazônica. A dupla é guiada por um ex-integrante do Sendero Luminoso e atravessa uma rota entre Peru e Brasil, passando por comunidades ribeirinhas, territórios indígenas e áreas dominadas pelo narcotráfico. O filme foi concebido pelos realizadores como uma espécie de “river movie”, um road movie construído sobre os rios amazônicos.

As gravações começaram na região de Pucallpa, no Peru, e avançaram para o Acre. No estado, a produção passou por Cruzeiro do Sul, incluindo o Rio Crôa, e segue para Marechal Thaumaturgo, com cenas na região da Terra Indígena Ashaninka, entre outros locais.

O elenco reúne atores de diferentes países e nomes conhecidos do cinema brasileiro, como Bruno Gagliasso e Adanilo, além de artistas latino-americanos. Gabriel também reencontra antigos parceiros de cena, entre eles Adanilo e Xavier, que participou de “Noites Alienígenas”.

Gravações acontecem no Acre e no Peru/Foto: Cedida

Para o ator acreano, a convivência com o elenco e a equipe foi fundamental para enfrentar as exigências das filmagens.

“Uma coisa que poderia ser difícil acabou ficando muito fácil para as pessoas envolvidas. Principalmente pelo tratamento que a gente recebeu de toda a equipe. Foi uma equipe maravilhosa”, afirmou, citando especialmente a produtora Karla Martins e a assistente de direção Rose.

Um filme maior?

Gabriel evita comparar diretamente “A Estirada” com “Noites Alienígenas”, mas acredita que o novo projeto pode alcançar um público ainda maior.

“Acho que ‘A Estirada’ tem tudo para possivelmente ser maior do que ‘Noites Alienígenas’. Não comparando eles, porque não se deve comparar, mas acredito que vai ser um projeto que talvez tenha um alcance maior, que chegue a mais lugares”, avaliou.

A expectativa está relacionada também à dimensão da história. O longa aborda temas como narcotráfico, desmatamento, territórios indígenas, fronteiras e as transformações da Amazônia. A produção foi planejada para registrar dois momentos distintos do ciclo amazônico — cheia e seca — e refletir também sobre as mudanças climáticas na região.

Para Gabriel, o filme tem justamente na floresta e nos territórios amazônicos uma de suas maiores forças.

“É uma história muito complexa. Vai falar sobre o desmatamento, vai falar sobre as terras Ashaninka, sobre os territórios que estão dentro da Amazônia, vai mostrar os nossos rios, essa travessia, a nossa fronteira, o nosso vizinho Peru. Para mim, é muito incrível esse projeto e acho que tem um grande alcance tranquilamente”, afirmou.

Depois do reconhecimento conquistado com seu primeiro longa, Gabriel agora encara uma nova transformação para um filme que pretende levar a Amazônia para além das fronteiras do próprio território. Desta vez, não apenas como cenário, mas como parte central da história — e do próprio personagem que o ator decidiu carregar literalmente no corpo.

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