Após a governadora Mailza Assis afirmar, durante ato político, que tinha formalmente apenas um pré-candidato ao Senado em seu arco de alianças e que a composição das vagas majoritárias seguia aberta, o senador Marcio Bittar (PL) comentou as movimentações de bastidor no estado, em entrevista exclusiva ao ContilNet, nesta terça-feira (21).
Em tom ponderado, Bittar evitou embates diretos e revelou um dilema pessoal diante do cenário de fragmentação entre aliados históricos.
“Eu não tenho o que falar, a não ser aquilo que eu já disse. Esses três [Mailza, Alan e Bocalom] aí não são meus adversários, nunca foram. Eu tenho história com todos eles. A Mailza me recebia na casa dela em 2006, quando fui candidato a governador pela primeira vez. O Bocalom nem se fala, o Alan também. O meu coração está apertado, porque eles não são meus adversários. Pela primeira vez vivo numa questão estadual o que vivi muitas vezes na eleição municipal, quando pessoas do grupo se dividiam”, desabafou o senador.
Ao avaliar os desdobramentos recentes — em especial a aproximação entre Mailza e o MDB —, Bittar relembrou alianças históricas com a família Sales e ressaltou que sua relação com a ex-deputada Jéssica Sales vai além das divergências partidárias momentâneas.
“A minha relação com a Jéssica é imensa. Adoro a Jéssica, conheço desde adolescente. Fui candidato a governador duas vezes; nas duas vezes, ou o pai dela era meu vice, ou a mãe dela. Quando a mãe dela foi minha vice, eu era o deputado federal mais votado e ela a estadual mais votada. Abrimos mão de uma zona de conforto. Nos meus quatro anos de mandato no Senado, tínhamos convivência de frequentar a casa um do outro”, pontuou Bittar.
O parlamentar explicou ainda as razões que o levaram a afastar o PL do grupo liderado pelo MDB em 2022:
“Para mim foi muito difícil tomar a decisão de tirar o PL da aliança com a Jéssica em função da política. O MDB fez uma aliança com a esquerda e não cabia o Bolsonaro. Como é que eu levo o PL numa aliança que não cabe o Bolsonaro, que é o líder do partido?”.
Aliança com PP e União Brasil e o peso da presença do MDB
Mesmo reconhecendo o diálogo aberto e a amizade com Alan Rick, Bittar reforçou que vê maior coerência na manutenção do bloco formado por PP, União Brasil e PL.
“Eu entendo que faz mais sentido a manutenção da aliança com o PP e o União Brasil. Esse núcleo foi o responsável por derrotar o PT depois de 20 anos, em 2018, e foi responsável pela vitória em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Brasileia nas eleições municipais. Conseguimos reunir de novo essa aliança, que foi fundamental.”
O senador assinalou que o movimento do MDB em direção à composição com Mailza acrescenta um elemento positivo para suas reflexões:
“Aconteceu uma coisa agora que pesa a favor disso, que é a Jéssica e o MDB terem ido para lá. Eu disse ao Alan: ‘Para mim, você se acertar com a Jéssica é importante, porque eu gostaria muito de estar com o MDB de novo’. O fato de o MDB estar na aliança com o PP e o União Brasil é um tento favorável, porque eu quero estar com eles. Quero estar com a Jéssica”, explicou.
Apesar de demonstrar preferência pelo alinhamento, Marcio Bittar ressaltou que o veredito final passa pelas instâncias nacionais das legendas, mencionando reuniões com dirigentes em Brasília, como o senador Rogério Marinho.
“A conversa envolve as direções nacionais do PL com o Republicanos. Vamos ver, vamos esperar mais um pouco. Mas a única novidade que estou dizendo é que o MDB estar na aliança com o PP e União Brasil é um ponto favorável, porque eu quero estar com eles”, finalizou.
