Deracre nega perseguição e revela por que recolheu máquinas do Quinari
Após a repercussão da retirada de três máquinas cedidas à Prefeitura de Senador Guiomard, o diretor de Gestão Operacional e de Recursos Humanos da Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Acre (AZPE/AC) do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre), Pedro Valério, explicou a situação dos equipamentos e os motivos que levaram o órgão a recolhê-los.
O caso ganhou destaque ainda nesta quinta-feira (27), quando o Deracre, determinou o recolhimento de três equipamentos que estavam à disposição da Prefeitura de Senador Guiomard após uma fiscalização identificar problemas mecânicos, estruturais e de conservação.
A decisão foi comunicada à prefeita Rosana Gomes por meio de ofício assinado pelo presidente do Deracre, Gilberto Lucas de Oliveira. Conforme o documento, a retirada busca preservar o patrimônio público estadual e impedir o agravamento dos danos encontrados nos equipamentos.
Segundo Valério, foram retiradas apenas três máquinas: uma pá carregadeira, uma retroescavadeira e um caminhão basculante. “Foram repatriadas apenas três máquinas que estavam quebradas e estacionadas no pátio da Secretaria de Obras de Senador Guiomard”, afirmou.
A retirada ocorreu depois de uma vistoria realizada pelo Deracre em 23 de julho, que identificou problemas mecânicos, estruturais e de conservação nos equipamentos.
Pá carregadeira já voltou ao trabalho
De acordo com Valério, a pá carregadeira estava parada por problemas na bomba injetora e em um sensor da transmissão.
O equipamento já passou por manutenção e, segundo ele, voltou a ser utilizado em uma frente de serviço. “Já foi consertada e enviada para uma frente de serviço”, explicou.
No relatório técnico elaborado pelo Deracre, a máquina New Holland 12D, prefixo PC-27, também apresentava ausência do pneu dianteiro esquerdo, para-brisa quebrado, vidro lateral trincado, vazamento de óleo no diferencial dianteiro, falta de lubrificação nos pinos dos cilindros hidráulicos e ausência dos retrovisores.
Na conclusão da vistoria, os técnicos apontaram que as condições encontradas impediam a utilização da máquina em condições seguras.
Caminhão está em oficina
O caminhão basculante Mercedes-Benz L 2426, prefixo CB-66, também foi recolhido. Segundo Valério, o veículo estava parado devido a uma falha na bomba de Arla e foi encaminhado para a oficina da Rondomaza.
“Está em conserto na oficina da Rondomaza, sem previsão de entrega”, informou.
O relatório do Deracre havia apontado ainda vazamento no cilindro do sistema basculante, desgaste dos pneus, lanternas danificadas, ausência de estepe, grade frontal quebrada, retrovisores inferiores danificados, escada lateral direita quebrada e ausência de para-barro.
A fiscalização também registrou que o equipamento estava sem apólice de seguro e que o CRLV não estava disponível no momento da vistoria.
Embora o caminhão estivesse em funcionamento, o relatório recomendou a realização dos reparos para garantir a segurança e a continuidade das atividades.
Retroescavadeira tinha mais de dez vazamentos
A terceira máquina recolhida foi uma retroescavadeira New Holland B95. Valério afirmou que o equipamento apresentava diversos problemas e mais de dez vazamentos em diferentes componentes.
“Parada com mais de dez vazamentos nos diferenciais, cubos, motor, transmissão e pistões”, detalhou.
A retroescavadeira está sendo reparada em uma oficina do próprio Deracre. A previsão, segundo Valério, é de que seja liberada para uma frente de serviço cinco dias após o início dos reparos.
A vistoria de julho já havia identificado vazamento de óleo no diferencial traseiro, desgaste acentuado do pneu traseiro, indícios de desgaste no cilindro de freio, ar-condicionado inoperante e necessidade de lubrificação geral.
Apesar das falhas, o relatório classificou o equipamento como operacional, mas recomendou manutenção corretiva para evitar o agravamento dos problemas.
Deracre colocou 12 equipamentos em duas frentes
Ao explicar a retirada das três máquinas, Valério também detalhou a estrutura que o Deracre mantém atualmente no município. Segundo ele, o órgão montou duas patrulhas de trabalho, que somam 12 equipamentos entre máquinas, veículos e apoio.
Na região da Baixa Verde, são sete equipamentos:
- uma patrol;
- uma pá carregadeira;
- uma retroescavadeira;
- um trator de esteira;
- um caminhão basculante;
- um caminhão de carga seca;
- uma caminhonete de apoio.
Na Gleba F, no Parque Peixoto, a equipe conta com cinco equipamentos:
- um trator de esteira;
- uma patrol;
- uma pá carregadeira;
- uma retroescavadeira;
- uma escavadeira hidráulica.
“Total geral: 12. Isso entre máquinas, equipamentos e carro de apoio”, afirmou.
Valério também explicou a avaliação dele sobre o impacto de máquinas cedidas às prefeituras que deixam de operar. Segundo ele, mesmo quando os equipamentos estão parados, a população continua precisando dos serviços, fazendo com que a demanda retorne ao Deracre.
“Como a Prefeitura não executa o que tem que executar, porque as máquinas não estão funcionando, estão quebradas, para onde é que a população vai? Para o Deracre novamente”, declarou.
Na avaliação do diretor, a situação acaba criando uma dupla responsabilidade para o órgão estadual: os equipamentos cedidos deixam de cumprir sua finalidade e, ao mesmo tempo, o Deracre precisa assumir diretamente os serviços.
“Você fica com dois problemas: as máquinas que não cumpriram o objetivo e a obrigação de cumprir o objetivo da população”, afirmou.
Segundo Valério, as novas patrulhas também exigem do Deracre o custeio de combustível, peças, manutenção e demais recursos necessários para manter os equipamentos em operação.
Deracre nega perseguição política
O diretor também rejeitou a possibilidade de que o recolhimento tenha ocorrido por motivação política. “Não tem nada, nenhuma questão política. Nada, nada a ver”, afirmou.
No documento enviado à Prefeitura de Senador Guiomard, o Deracre afirma que as condições identificadas na vistoria caracterizariam descumprimento das obrigações de revisão, manutenção periódica, conservação e preservação previstas no Termo de Cessão nº 02/2026.
O Deracre informou ainda que pretende rescindir unilateralmente o termo e que o recolhimento imediato busca “resguardar o patrimônio público estadual e evitar o agravamento das avarias identificadas”.
A Prefeitura de Senador Guiomard foi notificada para apresentar manifestação e documentos sobre as inconformidades apontadas no prazo de 15 dias. O prazo, segundo o ofício, não suspende o recolhimento dos equipamentos.