Início / Versão completa
Destaque

Pesquisa liga desmatamento a Chagas e leishmaniose no interior do Acre

Por Correio Braziliense 07/09/2026 11:33
Publicidade

A retirada da floresta pode mudar o comportamento de insetos que transmitem doenças e aumentar a possibilidade de contato deles com a população. Essa relação foi observada por pesquisadores em uma área rural de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, durante estudos sobre leishmaniose e doença de Chagas.

Publicidade

Os cientistas analisaram 20 locais de um assentamento e compararam diferentes tipos de paisagem, desde áreas ainda preservadas até regiões onde a vegetação foi retirada. A pesquisa mostrou que as mudanças causadas pela ocupação humana interferem na presença dos chamados vetores, que são os animais responsáveis por transmitir os parasitas.

Um dos exemplos observados foi o da doença de Chagas. Barbeiros contaminados com o parasita Trypanosoma cruzi foram encontrados em palmeiras localizadas próximas às casas. Com a diminuição da vegetação, essas áreas naturais podem ficar mais próximas dos locais onde as pessoas vivem, aumentando a possibilidade de contato.

Os pesquisadores analisaram uma palmeira próxima a uma residência em cada ponto estudado e verificaram os insetos encontrados nesses locais. A descoberta mostra que o risco de transmissão não depende apenas da presença do barbeiro dentro das casas.

Publicidade

Mosquito também se adapta ao ambiente

Na investigação sobre a leishmaniose cutânea, outro tipo de inseto chamou a atenção: o flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha.

A espécie Nyssomyia antunesi foi a mais encontrada durante as coletas. Segundo os resultados, a quantidade desses insetos está relacionada principalmente ao tempo em que uma área vem sendo ocupada e modificada pelos seres humanos.

Pesquisa mostra que desmatamento aproxima insetos | Foto: Reprodução

Isso significa que mesmo locais onde ainda existe parte da floresta podem manter condições favoráveis para a presença dos mosquitos-palha. Eles conseguem permanecer durante anos em ambientes que já sofreram alterações.

Em Cruzeiro do Sul, a forma cutânea da leishmaniose registra uma média de três casos para cada 10 mil habitantes por ano. A doença pode provocar feridas na pele e, dependendo do caso, atingir áreas como o nariz e a boca.

Mudanças ambientais preocupam pesquisadores

Para os cientistas, os resultados mostram que o desmatamento não representa apenas a perda de árvores. A alteração da paisagem também pode modificar a relação entre insetos, animais, parasitas e seres humanos.

Na doença de Chagas, por exemplo, a presença de barbeiros infectados perto das residências mostra que o contato com os vetores pode acontecer em áreas naturais próximas às casas. Já no caso da leishmaniose, os estudos indicam que os mosquitos-palha conseguem se adaptar a ambientes transformados.

As pesquisas foram realizadas no município de Cruzeiro do Sul, uma das regiões do Acre que sofre pressão constante pela expansão de áreas ocupadas. Os resultados fazem parte de uma sequência de estudos sobre os efeitos das mudanças ambientais na saúde.

Um trabalho anterior, divulgado pelo mesmo grupo em 2025, também apontou relação entre áreas parcialmente degradadas da Amazônia e maior risco de transmissão da malária.

Leishmaniose, doença de Chagas e malária estão entre as chamadas doenças tropicais negligenciadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,4 bilhão de pessoas no mundo são afetadas por doenças desse grupo, que historicamente recebem menos investimentos e atenção.

Conteúdo Original / Fonte: Correio Braziliense
Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site