Presente no dia a dia de muitas comunidades do Acre, o óleo de copaíba, conhecido por suas propriedades medicinais e utilizado tradicionalmente no tratamento de feridas, inflamações e problemas na pele, ganhou um novo respaldo científico.
Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) apontou que a oleorresina extraída da árvore Copaifera epunctata apresenta baixo risco de toxicidade em testes pré-clínicos e possui ação contra bactérias associadas a infecções cutâneas.
O óleo de copaíba é extraído do tronco da árvore e é encontrado com facilidade na floresta amazônica, incluindo o território acreano, onde populações tradicionais, indígenas e extrativistas utilizam o produto há gerações como um remédio natural.
O estudo, publicado na revista científica internacional Natural Product Research, analisou amostras coletadas na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, para verificar a segurança da substância e seu potencial no desenvolvimento de novos medicamentos fitoterápicos.

Óleo medicinal muito usado no Acre combate bactérias e infecções de pele | Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa
Nos testes realizados com ratos Wistar, os pesquisadores não observaram sinais de intoxicação, como tremores, convulsões, alterações de comportamento ou perda de peso. Em avaliações feitas com aplicação na pele durante 14 dias, também não foram identificadas alterações nos órgãos internos, mucosas, sistema respiratório ou sistema nervoso dos animais.
A análise química revelou a presença predominante de substâncias naturais como sesquiterpenos e diterpenos, com destaque para o β-cariofileno e o ácido caurenoico. De acordo com os cientistas, esses compostos podem estar relacionados à ação antimicrobiana observada, já que pesquisas anteriores indicam que eles possuem propriedades anti-inflamatórias e antibacterianas.
Nos testes contra microrganismos, a oleorresina conseguiu impedir o crescimento de bactérias Gram-positivas frequentemente ligadas a infecções de pele, como Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis e Streptococcus pyogenes. Em alguns casos, também foi observada ação capaz de eliminar essas bactérias.
Por outro lado, o óleo não apresentou efeito contra bactérias Gram-negativas, como Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli, nas concentrações analisadas.


